Árabes querem participar da reconstrução do Iraque

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Publicado segunda-feira, 24 de março de 2003 as 23:16, por: cdb

O conflito no Iraque parece longe do fim, mas analistas no mundo árabe ja prevêem que, se os Estados Unidos e seus aliados vencerem a guerra, dificilmente vão oferecer aos líderes da região algum papel na reconstrução econômica e política do país.

“O temor é que os americanos queiram monopolizar esse processo, alijando os países árabes de qualquer decisão”, disse à BBC Brasil o cientista político da Universidade do Cairo Mostafa Elwi.

Segundo Dia Rachwan, analista político do Centro de Estudos Estratégicos, uma instituição ligada ao governo egípcio, alguns líderes árabes temem tambem que, de Bagdá, os Estados Unidos queiram forçar os países da região a seguir a cartilha de Washington no que se refere, por exemplo, à democracia.

“Os árabes temem que os Estados Unidos queiram exportar seu estilo de democracia à força, pondo em risco a estabilidade do Oriente Médio”, acrescentou Rachwan.

Iraque dividido

Segundo Mostafa Elwi, a possível atitude isolacionista dos Estados Unidos no Oriente Médio pode contribuir também para a fragmentação política do Iraque.

“Decisões erradas podem provocar o surgimento de um Estado curdo no norte, um Estado xiita no sul e um Estado sunita na parte central do Iraque.”

“Esse possível novo modelo de fragmentação política poria em risco a segurança nacional de países como a Turquia e o Irã, que também convivem com minorias étnicas e religiosas em seus territórios”, disse o cientista politico.

“Próxima vítima”

Para o professor do Departamento de Economia e Ciência Política da Universidade Americana do Cairo Waleed Kaziha, os líderes árabes não temem apenas o contágio do caos interno que possa surgir no Iraque, como também um possível ataque dos Estados Unidos.

“É impossível saber se esse é o objetivo dos americanos, mas o fato é que não apenas a população, como também os governos de alguns países árabes, teme ser os próximo alvo, vítima de uma ocupação dos Estados Unidos”, disse o sírio Waleed Kaziha.

Segundo ele, países como a Síria devem tentar formar algum tipo de aliança regional para fazer frente aos riscos de uma possível presença americana no controle de Bagdá.

“A Síria, provavelmente, vai elaborar um plano de formar alianças com países como a Turquia, a Líbia e o Irã”, disse Kaziha.

“No momento, os líderes árabes estão em uma posição defensiva. Muitos temem ser o próximo alvo de um ataque americano”, disse Kaziha.