Aproximadamente 24 corpos são resgatados em desabamento na Bolívia

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Publicado sábado, 5 de abril de 2003 as 22:03, por: cdb

Até agora, pelo menos 24 corpos foram resgatados no desmoronamento que sepultou parcialmente o povoado minerário de Chima, no norte da Bolívia, informaram neste sábado, as autoridades.

No sexto dia dos trabalhos de resgate, a população continuou ajudando as equipes da Defesa Civil, em busca dos desaparecidos, que foram soterrados pelas milhares de toneladas de terra, pedra e lama, que se soltaram na última segunda-feira (31) da colina Pucaloma, na região de Yungas.

O secretário-geral da Prefeitura (Governo) do Departamento da Paz, César Sánchez, disse que até a última sexta-feira (4), à noite, 24 cadáveres tinham sido encontrados.

Foram mobilizados para as tarefas de resgate mais de 250 policiais, soldados, funcionários municipais e bombeiros, incluindo cerca de dez homens da organização “Bombeiros Sem Fronteiras” e dois cães da Unidade Canina dos bombeiros de Huelva, ambos da Espanha.

Na recontagem das vítimas, César Sánchez ressaltou que 53 menores perderam pai, mãe, ou de ambos.

Até este sábado, as autoridades registraram 43 pessoas desaparecidas e 194 famílias desabrigadas, após a destruição de 104 casas no setor mais próximo à colina Pucaloma.

O presidente boliviano, Gonzalo Sánchez de Lozada, prometeu na sexta-feira passada (4) aos moradores de Chima que o governo enviará o que for necessário para o resgate de possíveis sobreviventes.

Sánchez de Lozada foi ao local do acidente, cerca de 250 quilômetros ao norte da sede do Governo, e anunciou que, depois da emergência, será elaborado um plano de desenvolvimento da região com assistência estatal.

Na sua visita, Sánchez de Lozada pediu aos mineradores que evitem degradar o meio ambiente, suposta causa do desabamento, alegando que “Deus perdoa sempre, o homem às vezes, mas a natureza nunca”.

O presidente pediu a sua mulher, Ximena, e sua filha Alejandra, que também é congressista, que encontrem um novo lar para os 53 órfãos de Chima.

O ministro da Saúde, Javier Torres Goitia, que acompanhou o presidente, disse que foram adotadas as medidas necessárias para evitar o surgimento de epidemias, entre elas o uso de purificadores de água.

Devido ao tempo transcorrido e à elevada temperatura da região, as autoridades começaram a analisar a possibilidade de suspender as escavações, supondo que os corpos soterrados já devem estar em decomposição.

No povoado, “já se sente um fedor”, que obrigou muita gente a utilizar máscaras, de acordo com o secretário-geral da Prefeitura de La Paz.

A avalanche em Chima, onde os mineiros se dedicam à exploração de ouro, é a mais grave registrada na Bolívia na última década, depois de um desabamento em Llipi, em 1992, quando cerca 200 pessoas foram sepultadas por um acidente parecido.