Aprovação de decreto ameaça bosques em Córdoba

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Publicado quinta-feira, 22 de setembro de 2011 as 15:11, por: cdb

Os bosques nativos de Córdoba, na Argentina, estão ameaçados desde que o governador Juan Schiaretti assinou o decreto 1.476/2011, que permite a remoção da vegetação e limpeza seletiva do bosque. A destruição, segundo a Fundação para a Defesa do Ambiente (Funam), trará graves consequências, dentre elas problemas de abastecimento hídrico.

Cerca de 95% da mata já está destruída por incêndios o que tem comprometido não somente as bacias hídricas que circulam o bosque como todos os ecossistemas. O restante da mata, 5%, está ameaçada pelo decreto que permite a remoção e limpeza de vegetação existente, denuncia Funam.

A Comissão de Ordenamento Territorial de Bosques Nativos (COTBN), após dois anos de trabalho participativo, apresentou um projeto de lei denominado “Lei de Bosques”, que, no entanto foi rejeitado, possibilitando a aprovação do atual decreto.

A Funam, em comunicado divulgado ontem (21), fez um forte questionamento afirmando que a assinatura do decreto colocará um fim ao bosque e avaliando que a aprovação é tão pior quanto os incêndios que vem acontecendo na província. O presidente da Fundação e membro do Comitê de Gestão Territorial Forest, Raul Montenegro, lamentou “o pobre conhecimento que os funcionários têm sobre a crítica realidade ambiental da província”.

“É inconcebível que um decreto acelere a destruição do pouco que resta de bosque nativo, que insista com a implantação de espécies exóticas e que propicie a destruição de serviços ambientais sem os quais é impossível viver em longo prazo. Já se devastou 95% da superfície ocupada por nossos bosques. Vão agora para os 5% que restam. É vingança , é cumplicidade, é incapacidade”, repudiam.

De acordo com a Funam, o decreto como inconstitucional, semelhante à Lei do Bosque 9814 que beneficia os produtores agropecuários e sojeiros com a conivência do governador e do secretário ambiental Raul Costa. “A lei 9.814 e Decreto 1.476 serão lembrados por ir contra a corrente da história, para desmantelar os últimos ecossistemas de florestas nativas, alterando as bacias hidrográficas ainda mais maltratadas de Córdoba”.

Nos últimos anos, o país teve a maior taxa de desmatamento, cerca de 2,93% por ano. Somente nesse mês de setembro os incêndios queimaram mais de 61 mil hectares, esse dado é doze vezes maior que a média mundial e seis vezes maior do que na África.