Após gafe, príncipe Harry descarta visita a Auschwitz

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Publicado quinta-feira, 13 de janeiro de 2005 as 21:05, por: cdb

O príncipe Harry, da Grã-Bretanha, descartou na quinta-feira a possibilidade de visitar o antigo campo de concentração de Auschwitz como prova de arrependimento por ter usado um uniforme nazista em uma festa, a apenas duas semanas do 60º aniversário da libertação do campo.

Grupos judaicos exigiram que o neto da rainha Elizabeth, de 20 anos, faça um gesto simbólico para se desculpar por ter usado uma braçadeira com a suástica e uma camiseta militar nazista em uma festa à fantasia no sábado.

O príncipe já pediu desculpas por seu “erro”, mas políticos e grupos judeus querem mais do que isso. “Foi um ato vergonhoso, que demonstra insensibilidade com as vítimas, não só com os soldados do seu próprio país que deram a vida para derrotar o nazismo, mas com as vítimas do Holocausto”, disse o rabino Marvin Hier, decano do Centro Simon Wiesenthal, dos EUA.

Em nota, ele acrescentou: “Aconselhamos vivamente o príncipe Harry a acompanhar a delegação britânica em 27 de janeiro ao campo de extermínio de Auschwitz para comemorar os 60 anos da libertação. Lá ele verá os resultados do odiado símbolo que ele de forma tão tola e audaciosa decidiu usar.”

Uma autoridade da casa real disse compreender as sugestões para que Harry visite Auschwitz, mas que não há planos para isso. “Seria uma distração e uma detração da importância da ocasião, porque se tornaria uma história diferente em termos de mídia”, disse esse funcionário à Reuters. “Ele reconhece que cometeu um péssimo erro e se desculpa por isso. Não há planos para que ele diga nada além.”

O regime nazista alemão (1933-45) matou 6 milhões de judeus e milhões de outros grupos, como poloneses, homossexuais, prisioneiros soviéticos e ciganos. Houve ainda milhões de pessoas presas e escravizadas.

As fotos do filho mais novo da falecida princesa Diana e do príncipe Charles, herdeiro da coroa britânica, com a fantasia nazista apareceram no jornal popular The Sun, na imprensa israelense e em sites da Internet mundo afora.

Harry, o terceiro na linha de sucessão, disse em nota que lamentava ter causado ofensas. “Foi uma má escolha de roupa, e me desculpo”, disse ele. O primeiro-ministro Tony Blair contemporizou: “O príncipe Harry deixou claro que lamenta muito, e acho que o resto disso é melhor deixar para o palácio de Buckingham.”

Já o chanceler israelense, Silvan Shalom, considerou intolerável o uso de símbolos nazistas. “Acho que qualquer um que tentar deixar isso passar como mau gosto deve estar ciente de que isso pode encorajar outros a pensarem que talvez este período (nazista) não tenha sido tão ruim quando ensinamos à nova geração no mundo livre”, disse ele a jornalistas.

O líder da oposição conservadora, Michael Howard, que é judeu, disse à rádio BBC que “seria apropriado ouvirmos dele pessoalmente sobre o quão contrito está.” O analista Robert Lacey, especializado em assuntos da monarquia, disse que Harry é apenas “um garoto confuso”, que precisa ser deixado em paz. “Ele claramente errou. É uma linha muito tênue, e Harry a ultrapassou. Mas ele pediu desculpas e fomos adiante”, afirmou.

O ex-ministro das Forças Armadas, disse que a foto da fantasia de Harry “não é adequada” ao Exército. O príncipe, que neste ano passará por treinamento militar na Real Academia de Sandhurst, é conhecido por ser o “menino-problema” da família real. Ele já admitiu ter fumado maconha e bebido álcool quando era menor de idade.

A imprensa britânica deu sossego a Harry durante vários anos depois da morte de Diana, em um acidente de carro, em 1997. Mas, nos últimos meses, a imprensa parece ter se lembrado de criticá-lo. Em outubro, ele se envolveu com uma briga com fotógrafos em frente a uma casa noturna londrina.