Após encontro com Lula, Paulo Octávio diz que não quer a renúncia

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Publicado quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010 as 14:50, por: cdb

Governador em exercício do Distrito Federal, Paulo Octávio foi recebido, nesta quinta-feira, no Centro Cultural Banco do Brasil, sede provisória da Presidência da República, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para tratar da situação política do DF. Ele deixou o local pela saída privativa do presidente e não falou com a imprensa, que passou a especular sobre uma possível renúncia. Paulo Octávio assumiu o cargo após a prisão do governador José Roberto Arruda, acusado de comendar um esquema de recebimento de propina no GDF.

Participaram também do encontro o ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, e de Relações Institucionais, Alexandre Padilha. Na véspera, Paulo Octávio procurou o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) para propor um pacto de governabilidade para o DF. Demóstenes disse que falou com Paulo Octávio sobre sua expulsão do DEM.

– Eu disse que não tinha como refluir. Minha posição já estava tomada – afirmou.

O DEM vai avaliar a situação do governador em exercício, na semana que vem. O partido poderá expulsar Paulo Octávio e intervir no Diretório Regional do DF. A estratégia de lideranças nacionais da legenda é a de tentar isolar a pecha de corrupção ao partido no Distrito Federal.

O encontro

Durante encontro com o presidente Lula, Paulo Octávio entregou uma carta com seis pontos em que afirma que o papel que lhe cabe na crise política de Brasília é o de ser um “facilitador” e diz não ter outra ambição que não seja restaurar a normalidade e a governabilidade do DF.

“Irei persistir nessa direção apenas e tão somente enquanto me sentir útil como um fator positivo na superação dos inúmeros obstáculos”, diz na carta.

Paulo Octávio inicia o texto afirmando que “Brasília atravessa no momento a maior crise política de seus cinquenta anos de existência” e agradece a Lula o apoio pessoal e de seu governo ao Distrito Federal.

A carta foi entregue a Lula durante encontro entre ele e Paulo Octávio na manhã de hoje (18), quando o presidente disse ao governador em exercício que a postura do governo federal em relação à crise política que ocorre no DF será estritamente institucional.

Sem renúncia

Ainda no encontro com Lula, Paulo Octávio disse que uma das opções estudadas por ele é mesmo renunciar ao cargo. O presidente deixou claro a Paulo Octávio que a postura do governo federal em relação à crise no GDF será estritamente institucional e que ele não irá se manifestar antes da decisão da Justiça.

– O governador Paulo Octávio não veio pedir apoio ao presidente. (Lula) Deixou claro de pronto que não cabe ao presidente apoiar uma situação ou outra nesse momento, mas sim aguardar a posição da Justiça – afirmou o ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, que também participou da reunião entre Lula e o governador em exercício.

Sobre a possibilidade de renúncia, Lula disse a Paulo Octávio que essa é uma decisão de foro íntimo do governador e o governo federal não tem nenhuma opinião sobre o tema, segundo Padilha.

O encontro com Paulo Octávio não constava na agenda de Lula, mas o presidente decidiu recebê-lo após uma reunião, logo no início da manhã, para avaliar o quadro jurídico e político do Distrito Federal com os ministros da Justiça, Luiz Paulo Barreto, da Defesa, Nelson Jobim, da Advocacia-Geral da União, Luis Inácio Adams, de de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, e com o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Sepúlveda Pertence.

O ministro Padilha negou que na reunião com o governador em exercício tenha discuto o nome de um possível interventor que seria indicado por Lula para governar o Distrito Federal.

No início da tarde, o secretário de Comunicação do Distrito Federal (DF), André Duda, negou que o governador em exercício pretenda renunciar nas próximas horas, ao negar as especulações de parte dos jornais diários brasileiros.

– Não tem renúncia – foi taxativo o secretário do governo.

A situação política de Paulo Otávio, no entanto, continua grave e são cada vez menores os seus círculos de influência junto ao ambiente político da capital federal.

O impeachment

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Legislativa também se reuniu, nesta quinta-feira, para apreciar os três processos de impeachment do governador licenciado, José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM). A expectativa é de que os pedidos sejam aceitos. Todos os cinco deputados do colegiado estão presentes em plenário. O deputado Batista das Cooperativas (PRP) lê o relatório.

A única visita de Arruda na Superintendência da Polícia Federal (PF), durante o dia, foi da mulher, Flávia Arruda. Ele já está preso há oito dias. Ela deixou a superintendência ao meio-dia e não quis falar com a imprensa. Alguns policiais responsáveis pela segurança de Arruda informaram aos jornalistas que o governador não tem dado sinais de estar abatido ou deprimido, e que tudo está tranquilo no ambiente onde ele está preso – uma sala com cerca de 60 metros quadrados.

A última aparição de Arruda foi na terça feira, quando ele foi à janela para observar a manifestação de algumas pessoas em seu favor. Depois disso, foi colocado um biombo para vedar as frestas das cortinas, e, desde então, nenhuma imagem do governador licenciado foi registrada. Arruda deve ser processado pelos crimes de responsabilidade e improbidade administrativa. Ao todo, são quatro processos, entre eles, um do PT local e um da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no DF.