Apesar das denúncias, EUA criticam a prática da tortura

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Publicado sexta-feira, 5 de maio de 2006 as 12:50, por: cdb

Apesar das recentes denúncias da organização não governamental Anistia Internacional, os EUA conderaram, nesta sexta-feira, a tortura como forma de tratamento a prisioneiros acusados da prática de terrorismo, detidos em centros no exterior. O país, por intermédio de seus consultores, afirmou a uma comissão das Nações Unidas ser favorável à proibição da tortura física, mas que seria “relativamente pequeno” o número de casos de abuso. John Bellinger, conselheiro jurídico do Departamento de Estado, disse que o atual governo norte-americano estava “totalmente comprometido em cumprir suas obrigações nacionais e internacionais de erradicar a tortura”.

Nesta semana, grupos de pressão, entre os quais a Anistia Internacional e o Human Rights Watch, voltaram a acusar os EUA de abusar de detentos com métodos cruéis de interrogatório.

– Esta comissão não deveria perder de vista o fato de que os incidentes não são sistêmicos – afirmou Bellinger ao órgão, que deu início, nesta sexta-feira, a uma discussão de dois dias sobre o desempenho dos EUA no setor.

Seria um erro “voltar o foco exclusivamente para as acusações”, já que “um número relativamente pequeno de casos de abuso e de irregularidades ocorreu no contexto do conflito armado dos EUA contra a Al Qaeda”, acrescentou.

– Gostaria de pedir aos senhores que não acreditem em todas as acusações que ouvirem. Nossos críticos tomam quase todas as especulações ou rumores como fatos – disse.

Desde os ataques de 11 de setembro de 2001, os EUA mantêm centenas de supostos membros da Al Qaeda e outros acusados em centros de detenção no Afeganistão, no Iraque e na baía de Guantánamo (Cuba). Escândalos envolvendo o abuso sexual e físico de detentos sob a custódia de forças norte-americanas, entre os quais o famoso caso da prisão de Abu Ghraib (perto de Bagdá), detonaram protestos em todo o mundo. Como chefe da delegação norte-americana presente em Genebra, Bellinger disse que 30 autoridades de quatro agências dos EUA fariam o melhor possível para responder às perguntas dos especialistas da ONU, mas que não teceriam comentários sobre as atividades envolvendo os serviços de inteligência.

A comissão da ONU, composta por dez especialistas independentes, exigiu no mês passado que os EUA fornecessem mais informações sobre a forma como trata seus prisioneiros dentro e fora do território norte-americano. Nas dezenas de perguntas apresentadas ao governo do país, o painel também tenta obter informações sobre centros de detenção secretos e sobre a responsabilidade dos norte-americanos pela suposta prática de tortura em alguns deles.

– O presidente (George W.) Bush deixou claro que a tortura, independente de onda aconteça, é uma afronta à dignidade humana – disse Bellinger.