Apesar das acusações, Sukita quer ser vereador

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Publicado quinta-feira, 27 de fevereiro de 2003 as 18:10, por: cdb

Carlos Amorosino Júnior, o Sukita, um dos líderes do bloco Independente, da torcida do São Paulo, tem planos para a política: quer ser vereador. No momento, isso parece difícil. O são-paulino está preso, acusado de matar duas pessoas – um corintiano e um palmeirense. Os crimes ocorreram em brigas com tiro e paulada, entre torcidas rivais, no pré-carnaval do sambódromo e numa avenida, sábado.

Os tiros foram no sambódromo. Integrantes do Independente são acusados de ter atirado nos rivais do bloco Pavilhão 9, corintiano. Uma testemunha que depôs anteontem (ferida à bala), Cássio Terayama, acusou Sukita de ter dado o tiro que matou o carnavalesco Ruy Nogueira, da Pavilhão 9.

Mais tarde, o pessoal da Independente, que estava em ônibus, na Avenida Marquês de São Vicente, Barra Funda, cruzou com integrantes da palmeirense Mancha Verde – e houve novo conflito. Sukita foi novamente acusado por testemunhas, desta vez como autor das pauladas que mataram Mauro Costa, da Mancha Verde.

Ontem, foi transferido da 23ª Delegacia para o Centro de Detenção Provisória, CDP, de Osasco.

Seus amigos no Independente dizem que é inocente, “vítima de uma armação”.

Além disso, garante Cristiano Marcos, presidente do conselho do bloco, “ele sempre foi uma pessoa tranquila, sempre pregou a paz”. Com 28 anos, é casado, sem filhos. Cristiano diz que o amigo trabalha na banca de jornais do sogro (não dá detalhes).

O delegado Naief Saad, da Deatur, delegacia ligada ao turismo, onde Sukita foi indiciado em inquérito, não tem dúvida de que ele atirou no carnavalesco Ruy. “A testemunha (Terayama) viu-o atirar, com uma bandeira do São Paulo enrolada na mão. Ela chorou no depoimento”.

Sukita disse ao delegado que está afastado há seis meses do bloco. “Ele me disse que ia assumir como assessor de um deputado, na Assembléia, dia 15.”

Não se sabe quem seria o deputado. Contou a Naief seus planos para a vereança, como fizera à delegada Eunice Marques, da 23ª Delegacia.

A delegada descreve Sukita como uma pessoa “muito inteligente”. “Ele soube se defender bem. Negou o crime e usou uma estratégia boa para se defender.”

Alegou que sua roupa, toda branca, estaria manchada de sangue, se tivesse dado pauladas na vítima.

Eunice diz que os paus usados eram na verdade cabos de enxada que se compram no comércio. “Tinham 1,30 metro, puderam ser usados sem que o sangue manchasse as roupas dos autores.” “Sukita é muito seguro, fala bem, tem uma postura altiva”, diz a delegada.

Os amigos de Sukita dizem que um investigador da 23ª Delegacia é da Mancha Verde (policiais da delegacia negam). Um dos amigos, Gonçalves da Silva, ficou preso na 23ª delegacia com outros suspeitos, sábado. Diz que Sukita “foi escolhido para ser acusado por ser o único lider que os policiais conheciam”.

Na sede do bloco, ontem, estava T.P., 16 anos, ferido com um tiro na coxa. O delegado Naief diz que isso não prova que o Independente foi atacado pelo Pavilhão 9. “Foi tiro do pessoal do Independente, talvez uma bala perdida.”

Diz que os corintianos eram poucos e estavam desarmados.