Apelo da ONU por trégua é ignorado na Síria

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Publicado sexta-feira, 23 de março de 2012 as 08:40, por: cdb
A ONU estima que 8.000 pessoas já tenham morrido durante a revolta, e o governo sírio diz que "terroristas armados" já mataram 3.000 soldados e policiais

Mais de 40 pessoas morreram na quinta-feira em confrontos na Síria, segundo ativistas da oposição, num sinal de que o apelo por trégua feito pelo Conselho de Segurança foi ignorado.

No pior incidente, 10 civis -incluindo três crianças e duas mulheres- morreram quando o microônibus em que viajavam foi alvejado na localidade de Sermeen (norte), segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos, com sede na Grã-Bretanha.

A entidade disse que não sabia precisar a origem dos disparos contra o grupo, que tentava fugir para a Turquia. Outros ativistas atribuíram o ataque ao Exército, que combate insurgentes na região.

Dezenas de civis foram mortos também em outras partes da província de Idlib e nas cidades de Homs, Hama e Deraa, segundo o Observatório. Na província de Homs, acrescentou o grupo, um confronto matou cinco rebeldes armados e sete soldados.

É impossível verificar de forma independente os relatos vindos da Síria, por causa das restrições impostas pelo governo ao trabalho da imprensa internacional.

O governo de Bashar al Assad há um ano reprime com violência protestos por sua renúncia, e nos últimos meses uma insurgência armada se intensificou. Na quarta-feira, o Conselho de Segurança da ONU aprovou uma declaração apoiando os esforços de paz do enviado especial Kofi Annan, o que inclui a instauração imediata de uma trégua e acesso humanitário a civis em zonas conflagradas.

Mas o governo sírio parece ter ignorado a declaração, que não tem força de lei. O Exército tem feito avanços nas últimas semanas, varrendo rebeldes armados de seus redutos em toda a Síria. Aparentemente, no entanto, os militares têm dificuldades para consolidar suas posições.

Fontes da oposição disseram que os tanques voltaram a bombardear um bairro revoltoso em Hama, no nordeste da Síria. Segundo essas fontes, a ofensiva militar matou 20 pessoas em 48 horas,

Em Sermeen, perto da fronteira turca, o Exército endurece o cerco atacando a cidade com foguetes e metralhadoras, mas sem conseguir entrar, por causa da resistência armada, conforme relato do diretor do Observatório Sírio de Direitos Humanos.

O grupo relatou combates intensos também em Al Qusair, perto da fronteira com o Líbano. Três residentes teriam morrido nos combates, e quatro soldados em emboscadas.

Mulher de presidente sírio é alvo de sanções
Países da União Europeia decidiram nesta sexta-feira impor sanções à mulher do presidente sírio, Bashar al-Assad, e outros membros da família, aumentando a pressão sobre seu governo para acabar com a repressão às manifestações populares.

Reunidos em Bruxelas, chanceleres europeus também impuseram o congelamento de bens e a suspensão de viagens à União Europeia para vários outros sírios, além de proibir companhias europeias de fazer negócios com duas entidades sírias, afirmaram autoridades.

Uma lista completa dos alvos das sanções será divulgada no sábado, quando a decisão entrar em vigor. Diplomatas da UE disseram que a lista incluía a mulher do presidente sírio, Asma, e a família. “Ela está na lista. Todo o clã está”, contou um diplomata europeu.