Antraz no Senado norte-americano foi modificado para ser mais letal

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Publicado quarta-feira, 17 de outubro de 2001 as 13:04, por: cdb

O senador norte-americano que recebeu uma carta contaminada com antraz declarou que os esporos contidos em sua correspondência podem ter sido manipulados para aumentar os efeitos da bactéria, que pode ser fatal. No total, 29 pessoas tiveram contato com a bactéria, que pode levar à morte em alguns casos. Por precaução, mais de 200 pessoas no Congresso daquele país – fechado desde esta quarta-feira por cinco dias – já começaram a tomar o antibiótico Ciprofloxacin, ainda de acordo com as fontes do FBI.

Tom Daschle, líder do partido democrata – de oposição ao presidente George W. Bush, mas com maioria no senado – disse que os investigadores do FBI (a polícia federal dos Estados Unidos) concluíram que a amostra de antraz enviada a ele “era muito potente e certamente tinha sido produzida por pessoas que sabiam o que estavam fazendo.”

Funcionários do governo americano informaram que análises preliminares mostram que o pó com antraz foi ultra refinado para facilitar sua dispersão, transformando-o em uma poderosa arma.

Centenas de pessoas que poderiam ter sido expostas ao antraz foram medicadas com antibióicos por precaução.

Caligrafia

O FBI informou que a letra da carta enviada ao senador era igual a de outro envelope endereçado a Tom Brokaw, jornalista da rede de televisão NBC.

Os recados dentro das cartas também eram idênticos: “Morte aos Estados Unidos” e “Alá é grande”. Investigadores disseram que já têm pistas, mas ainda não há nenhuma prova que identifique a origem do antraz.

Michael Powers, funcionário do Instituto de Controle de Armas Químicas e Biológicas informou que a sofisticação do antraz encontrado indicava que as pessoas responsáveis sabiam muito bem o que estavam fazendo e eram altamente capacitadas no assunto.

Patrocínio

“Um antraz dessa qualidade geralmente só é produzido com o uso de uma tecnologia bastante sofisticada, o que me faz pensar que tenha sido patrocinado por algum Estado”, diz Powers.

O porta-voz da Presidência dos Estados Unidos disse que o antraz não poderia ter sido produzido no país, pois todas as amostras da bactéria nos Estados Unidos foram destruídas em 1972, por determinação do tratado para banir armas biológicas.

Mas pelo menos dez outros países teriam capacidade de manipular a bactéria. Esses países seriam, segundo os Estados Unidos, a China, a Coréia do Norte, a Coréia do Sul, o Irã, o Iraque, Israel, a Líbia, a Rússia, a Síria e Taiwan.