Antraz, bactéria letal

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Publicado sexta-feira, 23 de novembro de 2001 as 10:59, por: cdb

O antraz é uma doença comum entre animais – tais como gado bovino, camelos, ovelhas e cães – e é adquirido por eles por meio de sua alimentação. Existem três tipos de possibilidade de infecção na espécie humana:

Cutânea: adquirida quando se manuseia produtos infectados.

Respiratória: adquirida quando se inspira esporos do bacilo.

Gastrointestinal: adquirida quando se ingere carne contaminada dos animais descritos anteriormente.

Na forma cutânea (95% dos casos já registrados), a infecção é transmitida através de feridas na pele. De início, surge apenas uma pequena sarna, semelhante a uma picada de inseto. No entanto, um ou dois dias depois, surge uma bolha que progride para uma dolorosa úlcera que pode atingir 3cm de diâmetro. Com o tempo a úlcera necrosa e as glândulas linfáticas podem inchar. Um em cada cinco casos não tratados podem resultar em morte.

Na forma respiratória, o antraz se manifesta, inicialmente parecendo um resfriado comum. Esta é fase onde a doença ainda pode ser detida por antibióticos, depois as toxinas produzidas pelas bactérias invadem a corrente sangüínea e torna-se quase impossível salvar a vida do enfermo.

Na forma gastrointestinal surge uma inflamação aguda no intestino. Logo a seguir o paciente passa a ter náuseas, perde o apetite, vomita sangue, tem febre, dores abdominais e forte diarréia. Os casos não tratados chegam a 25% de letalidade.

O bacilo do antraz desenvolveu, ao longo do tempo, um escudo protetor contra as defesas do corpo humano e uma toxina tão potente que pode produzir o colapso de todos os sistemas. Os três casos que ocorreram até agora na Flórida e o temor de que ele possa ser utilizado pelos terroristas como uma arma bacteriológica deram uma especial relevância a este bacilo, um dos mais conhecidos e ao mesmo tempo mais enigmáticos.
Doença Bíblica

O Antigo Testamento já reunia referências, no êxodo de Moisés, sobre a doença resultante do antraz, o carbúnculo, ao qual se atribui uma das Pragas do Egito. Em 1877, o bacteriologista alemão Robert Koch isolou o microorganismo e demonstrou sua habilidade para formar esporos.

Kenneth Todar, un bacteriologista da Universidade de Wisconsin, em Madison, afirma que o “bacillus anthracis” possui duas características que determinam sua virulência: a cápsula protetora que o envolve e a toxina que o mesmo desenvolve, denominada “toxina do antraz”.

A cápsula, que em si mesma não é tóxica, protege esta bactéria com forma de bastão (bacilo) contra os componentes do sistema imunológico animal e também humano, principalmente contra os fagocitos.

Segundo Todar, a cápsula desempenha um papel fundamental nas primeiras fases da infeccção, enquanto a toxina constitui o principal agente nas fases terminais da doença.

Pulmonar é a mais letal

O Centro para o Controle e Prevenção das Doenças (CDC) divulgou que o “antraz pulmonar”, que provocou a morte de um fotógrafo na semana passada em Boca Ratón (Flórida), é a forma mais letal das três em que o bacilo pode aparecer: pulmonar, epidérmica ou gástrica, dependendo do modo de penetração dos esporos.

Embora possa ser combatido com penicilina, tetraciclina, eritromicina e cloranfenicol, entre outros antibióticos, a mortalidade nos casos de inalação é muito alta, aproximadamente 85%, de acordo com documentos do órgão da Saúde Pública e População do Canadá.

Antraz (carbúnculo) aperece mais em animais

O carbúnculo é uma doença que afeta principalmente os animais ruminantes, como ovelhas e cabras, e também é conhecida por afetar aqueles que tosam estes animais, já que os esporos do bacilo podem ser encontrados entre a lã e ser inalados.

Glenn Sorger, um especialista em bacteriologia da Universidade do Arizona, afirma que quando o antraz é inalado, o bacilo pode ser atacado pelos macrófagos (as principais células limpadoras do sistema imunológico) resistindo, contudo, a este processo e podendo ser transportado para outras regiões.

A resistência é