Antonio Palocci coordenará equipe de transição

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Publicado terça-feira, 29 de outubro de 2002 as 15:17, por: cdb

O presidente eleito do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, manteve um encontro com o presidente Fernando Henrique Cardoso nesta terça-feira, em Brasília, e, em seguida, anunciou o nome do coordenador da equipe de transição. Será o assessor político e prefeito licenciado de Ribeirão Preto Antonio Palocci.

Da parte do atual Governo, o coordenador será o ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente.

Na entrevista coletiva, depois do encontro, Lula apresentou Palocci, e este anunciou que os demais integrantes da equipe técnica só deverão ter seus nomes divulgados em 48 ou 72 horas.

No Congresso, os líderes do Partido dos Trabalhadores (PT) na Câmara, deputado João Paulo Cunha, e no Senado, Tião Viana, dirigirão a articulação política.

Lula recusou-se a adiantar a composição de seu Ministério, afirmando que prefere fazê-lo no momento que julgar mais apropriado.

Lula explicou que a escolha foi feita para separar a discussão sobre a transição da expectativa sobre a equipe do futuro governo.

“A partir da agora, se vocês (jornalistas) quiserem falar de transição falem com o companheiro Palocci ou com os companheiros João Paulo Cunha e Tião Viana. Sobre Ministério, não precisam falar comigo, porque falo com vocês quando tiver uma decisão”, afirmou o presidente eleito.

Lula disse ainda que pretende montar sua equipe de Governo depois de manter conversações com os partidos que o apoiaram e com os setores da sociedade não ligados a partidos políticos.

O presidente eleito fez o anúncio sobre o coordenador da equipe de transição depois de se reunir por mais de duas horas com FHC, inicialmente a portas fechadas e em separado e, posteriormente, com a participação de políticos e assessores dos dois lados.

No início da entrevista coletiva, Lula elogiou o presidente da República por estar realizando uma transição que chamou de “tranqüila e amigável” e destacou o fato de FHC ter indicado um ministro, Parente, para participar dos trabalhos de coordenação.

“Isso, quem sabe, seja uma aula que fique para sempre”, declarou o presidente eleito, numa referência a FHC, ressaltando que o presidente havia feito “a demonstração efetiva da prática democrática”.

Lula ressaltou que FHC colocou o Governo à disposição de sua equipe de transição, assim como todo o Ministério.

“O momento deve ser singular na história política da América Latina”, acrescentou.

Festa na chegada
O avião trazendo Lula de São Paulo pousou no hangar da Polícia Federal, no Aeroporto Internacional de Brasília. De lá, o presidente eleito seguiu imediatamente para o Palácio do Planalto, numa comitiva que teve batedores da Polícia e honras de chefe de Estado.

Em frente ao palácio, centenas de militantes do PT receberam Lula com gritos de apoio e, em seguida, cantaram o Hino Nacional.

A recepção foi também calorosa por parte dos funcionários do palácio e do próprio presidente. FHC e Lula posaram, sorridentes, para fotos, antes de iniciar a primeira parte de seu encontro.

Da reunião de trabalho ampliada participaram também o vice-presidente, Marco Maciel; o vice-presidente eleito, José Alencar; o ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente; o ministro-chefe da Secretaria Geral, Euclydes Scalco; o ministro da Fazenda, Pedro Malan; o presidente nacional do PT, José Dirceu; o assessor petista Antonio Palocci; e o ex-deputador federal do PT Luiz Gushiken.

Regras do Jogo
Horas antes, em uma entrevista a uma emissora de televisão, Parente adiantou que, na reunião em Brasília, seriam estabelecidas o que chamou de “as regras do jogo” para que a transição possa ocorrer sem acidentes de percurso.

“É importante ter regras claras para que possamos ter, como deseja o presidente, uma transição tranqüila”, disse o ministro-chefe da Casa Civil.

Entre os assuntos que seriam abordados na reunião, ainda segundo Parente, figuram o Orçamento de 2003 – que deverá ser votado pelo Congresso até 15 de dezembro – e um mecanismo para que a equipe