ANP considera que reunião com Sharon foi ‘útil e profunda’

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Publicado domingo, 18 de maio de 2003 as 10:10, por: cdb

A Autoridade Nacional Palestina (ANP) qualificou neste domingo como “útil e profunda” a reunião realizada no último sábado (17) entre seu primeiro-ministro, Abu Mazen, e o líder do Governo israelense, Ariel Sharon.

– Nós aceitamos o Mapa de Rota e instamos Israel a anunciar oficialmente a sua adoção para podermos trabalhar conjuntamente -, disse Abu Mazen a Sharon, segundo informou neste domingo a agência de notícias palestina Wafa.

O “Mapa de Rota” é um plano de paz elaborado pelo chamado Quarteto de Madri – composto por EUA, União Européia (UE), Rússia e ONU – que prevê a criação de um Estado palestino independente com fronteiras internacionais em 2005.

– Exigimos que termine o assédio ao presidente Yasser Arafat e que os detidos palestinos sejam libertados para criar um ambiente propício que ajude a voltar ao processo político e ao trabalho entre nós -, acrescentou o premier palestino.

Abu Mazen pediu a aplicação de medidas de alívio para os palestinos, principalmente a facilitação de seu movimento pelos postos de controle, e o fim dos assassinatos de supostos dirigentes das facções armadas palestinas.

– Pedimos o fim do assédio e do isolamento sofridos pelos palestinos, da expansão dos assentamentos e das atividades militares, e que seja detida a construção do muro de separação – entre a Cisjordânia e Israel, acrescentou.

Segundo o jornal israelense Maariv, Sharon propôs durante a reunião que a ANP assuma o controle do norte da Faixa de Gaza por etapas depois da retirada do Exército israelense, e exigiu que o Governo palestino empreenda uma “verdadeira guerra contra o terrorismo”.

A ANP pediu que Israel se retire de Bait Hanun, no norte da Faixa de Gaza, região tomada na quinta-feira passada (15) pelo Exército israelense e onde até agora já morreram seis palestinos.

Segundo a fonte, Abu Mazen explicou a Sharon que a ANP quer dialogar num contexto global para a solução do conflito e não está disposta a negociar soluções parciais.

O primeiro-ministro palestino propôs a manutenção dos contatos e a realização de mais reuniões com Sharon, que suspendeu neste domingo sua viagem aos Estados Unidos depois dos dois atentados que deixaram nove mortos, entre eles dois terroristas suicidas, nas últimas 24 horas.

Não se sabe se Sharon cancelou definitivamente sua visita a Washington ou se simplesmente a adiou.

O primeiro-ministro israelense ia partir neste domingo ao meio-dia para os Estados Unidos, onde se reuniria na próxima terça-feira com o presidente americano, George W. Bush.

O presidente do Conselho Legislativo Palestino, Ahmad Qurea, conhecido como Abu Ala, que também participou da reunião, afirmou que Sharon se negou a aceitar o Mapa de Rota e afirmou que discutiria suas ressalvas com Bush em Washington.

“Acho que agora tudo depende de sua reunião com o presidente Bush”, disse Abu Ala antes de saber que Sharon havia suspendido a viagem.

Apesar de os Estados Unidos terem repetido que não estão dispostos a fazer novas mudanças no plano de paz, o Governo israelense condiciona sua aceitação à introdução de quatorze emendas.

A reunião do último sábado (17) à noite para discutir o Mapa de Rota foi a de mais alto nível entre líderes de ambos os lados em dois anos, quando as negociações de paz chegaram a um ponto morto.