Ano Novo com temor

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Publicado terça-feira, 6 de janeiro de 2004 as 09:13, por: cdb

Em todas as partes do mundo a chegada do Ano Novo foi marcada por sentimentos de esperança e gestos de fraternidade e de acolhida. Mas nos Estados Unidos a esperança foi substituída pelo medo e uma rígida revista policial ocupou o lugar dos gestos fraternos, do acolhimento e da cordialidade. Para os estadunidenses “o homem é o lobo do homem” porque seu governo, seu país é o lobo da humanidade. Um lobo feroz que deseja dominar, consumir, exterminar o outro para sustentar seu luxo. Como vimos pela imprensa, as celebrações de Ano Novo nos EUA foram marcadas por grandes preocupações e medo de que fossem atacados por “terroristas”. Investiram muito em segurança para estarem protegidos do “terror”. Mas nada disso precisaria, se soubessem respeitar os outros povos e nações. Quem ameaça a liberdade dos outros perde a sua. Quem não respeita a soberania dos demais países vive dentro de suas casas e cidades o horror do medo de inimigos gerados pela própria insensatez. No norte das Américas impera o medo de ser gente.

O medo que o povo norte americano vive é o mesmo que seu país está provocando em outros povos, com ameaças de guerras e imposições econômicas. Nenhuma nação do mundo está livre de o presidente dos EUA aparecer na TV, com um ar de demagogia e arrogância, dizendo que vai tirar suas “armas de destruição em massa” e que ali vai restituir a “democracia” e dar “liberdade” ao povo. Ninguém sabe até onde vai o grande projeto imperialista bélico-econômico dos EUA. Não sabemos quem será sua próxima vítima, quem eles vão eleger como adversários. É por isso os EUA têm inimigos espalhados por toda parte, inclusive dentro de seu próprio território. E enquanto continuarem demonstrando seu poder e impondo sua força eles estarão temerosos. E certamente nem existe tanto perigo assim como eles pensam, mas o próprio espírito de violência e brutalidade que o governo dos EUA promove se transforma em medo e insegurança para a sua população. Quem agride sabe que pode ser agredido, mas quem respeita sabe que será respeitado.

Nesses momentos nos damos conta de que vale a pena ser brasileiro. Não podemos esconder que há violência em nosso meio, mas o espírito do Brasil é de paz, é de lutar pela justiça e de viver a fraternidade. Sem querer exaltar o nosso país, e reconhecendo seus problemas e dificuldades, percebemos o quanto é melhor viver aqui do que estar nos EUA com medo e sem liberdade. O Brasil vive muitos problemas, mas temos o vigor, a fé e a coragem de, aos poucos, irmos transformando a vida do nosso povo. Vale a pena cultivar a paz e respeitar os outros, assim somos tratados com respeito e de modo pacífico. Os EUA deveriam relembrar o princípio de que tudo o que não queremos para nós, não deveríamos fazer aos outros.

Frei Pilato Pereira (pilato@terra.com.br)