Angela Merkel: países europeus devem manter austeridade por mais cinco anos

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Publicado sábado, 3 de novembro de 2012 as 13:40, por: cdb

A chanceler alemã, Angela Merkel, defendeu, este sábado, que os países europeus precisam “de austeridade para convencer o mundo de que vale a pena investir na Europa”. Agência de notação Fitch avança que Portugal não repressará tão cedo aos mercados e que irá necessitar de um novo financiamento externo. Artigo |3 Novembro, 2012 – 18:35 Passos atento a Merkel. Foto de Tobias Kleinschmidt, EPA.

“Necessitamos de um grande esforço, de mais cinco anos”, sublinhou Angela Merkel durante o congresso regional da CDU em Sternberg, no Norte da Alemanha. Para a chanceler alemã, a zona euro ainda está longe de ultrapassar a crise, sendo que serão necessárias “grandes reformas estruturais”, que devem “conseguir resultados para recuperar a confiança dos investidores e impulsionar, outra vez, a economia europeia.

“Há muitos investidores que pensam que na Europa não cumprimos as nossas promessas” avançou Merkel, que exortou os países europeus a provarem o seu “rigor para convencer o mundo de que é rentável investir na Europa”, cumprindo de forma consequente as exigências em matéria de consolidação orçamental e de redução de dívida.

Portugal irá necessitar de um novo financiamento externo

Segundo a agência de notação financeira Fitch anunciou esta sexta feira, Portugal “vai receber mais ajuda oficial antes de regressar aos mercados”.

A agência de notação financeira não acredita que Portugal possa regressar aos mercados em setembro de 2013, ao contrário do que terá anunciado o governo português por diversas vezes. A Fitch justifica o seu parecer com as fracas perspectivas económicas, a dimensão do ajustamento orçamental e a natureza “frágil” da dívida soberana da zona euro.

Para a agência, seria necessária uma “melhoria significativa do sentimento” dos mercados para que tal acontecesse, sendo “provável” que os bancos portugueses regressem aos mercados de financiamento internacionais enquanto Portugal deverá “continuar excluído”.

Durante o debate em plenário sobre o Orçamento do Estado para 2013, o líder parlamentar do Bloco de Esquerda questionou o primeiro ministro Pedro Passos Coelho sobre se o governo assumia que Portugal já teria perdido “qualquer hipótese de regresso aos mercados em setembro de 2013” e se “não está já a renegociar um segundo resgate”.

“Porque essa manobra de toca e foge de vir aqui desafiar partidos da oposição acerca de um segundo resgate que poderá estar iminente cheira já muito a tentar lavar as mãos porque o segundo resgate já está a ser negociado e a ser discutido”, afirmou o dirigente bloquista, acusando o governo de ter “mudado, agravado e aprofundado” a sua política orçmental não “devido a um acórdão do Tribunal Constitucional” mas sim devido “ao aumento da dívida, devido à bancarrota do seu plano, que é a bancarrota de Portugal”.

 

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