Amigo de subprocurador é investigado pela Operação Anaconda

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Publicado quinta-feira, 6 de novembro de 2003 as 05:29, por: cdb

A Operação Anaconda – superinvestigação da Polícia Federal sobre uma suposta quadrilha envolvida com esquema de venda de sentenças judiciais – bateu de frente com uma das mais altas autoridades na hierarquia do Ministério Público Federal, o subprocurador-geral da República Antônio Augusto César.
 
Gravações telefônicas revelam que o advogado Affonso Passarelli Júnior – preso por ordem do Tribunal Regional Federal (TRF) e ligado ao juiz João Carlos da Rocha Mattos, acusado de ser ‘mentor da quadrilha’ – estaria mantendo sob guarda uma pasta com papéis do magistrado.
 
O subprocurador é amigo de Passarelli e eles também têm relações profissionais. O subprocurador é cliente de Passarelli, em ações de interesse pessoal de Antônio Augusto, uma delas contra a União por meio da qual pleiteia indenização.

Em outubro, o subprocurador-geral sublocou duas salas do advogado em condições privilegiadas – acertou o preço de ‘R$ 600 ou R$ 700’, ou seja, menos da metade do valor do aluguel, que é de R$ 1,7 mil. Ali, Antônio Augusto planeja montar uma banca de advocacia na área eleitoral, dedicada à assessoria e consultoria a vereadores e prefeitos.
 
A PF realizou buscas nas salas de Antônio Augusto, mas não apreendeu ‘nenhum documento que o relacionasse com os investigados, razão pela qual não foram arrecadados os computadores encontrados’.

Há 21 anos na carreira, Antônio Augusto ocupa o topo da carreira e faz parte da 1ª Câmara do MPF, que trata de ações relativas a direito constitucional.
 
Ele disse ter ficado ‘muito surpreso, chocado’ com as acusações contra Passarelli.
 
– Torço para que consiga mostrar que não está envolvido – disse Antônio Augusto.
Ele disse, ainda, que é ‘desafeto’ do juiz Rocha Mattos.