Amigo de Celso Daniel é denunciado por homicídio triplamente qualificado

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Publicado sexta-feira, 5 de dezembro de 2003 as 18:04, por: cdb

O empresário Sérgio Gomes da Silva, apontado pelo Ministério Público (MP) como mandante do assassinato do prefeito Celso Daniel, de Santo André, foi denunciado por homicídio triplamente qualificado. Ou seja, os promotores afirmam que o prefeito foi morto por tomar providências contra a corrupção que se instalou na Prefeitura de Santo André. Os promotores dizem que há indícios da existência de outros mandantes do crime e, por isso, as investigações continuam.

A denúncia do MP se baseia em relatos de testemunhas. Há apenas uma prova documental, que é uma anotação de telefones que liga a quadrilha da Favela Pantanal, que executou o crime, e o grupo de Dionísio de Aquino Severo. Vários relatos de testemunhas fazem a relação entre Dionísio e Sérgio Gomes da Silva. Dionísio foi resgatado de helicóptero de forma cinematográfica, no dia 17 de janeiro, véspera do seqüestro de Celso Daniel. Dionísio chegou a dizer que sabia de coisas sobre o crime, mas não chegou a prestar depoimento e foi morto no presídio.

Os promotores sustentam que Dionísio fez a conexão entre Sérgio Gomes da Silva e a quadrilha da Favela Pantanal. O presidiário Aílton Feitosa, resgatado junto com Dionísio, disse aos promotores que presenciou uma reunião dele com os integrantes da Favela Pantanal. Nesta reunião, Dionísio teria dito que o empresário que estaria acompanhando o prefeito Celso Daniel colaboraria com a ação.

Além desses elementos, há contradições nas declarações dos integrantes da quadrilha da Favela Pantanal e de Sérgio Gomes da Silva com as perícias feitas pela polícia. Silva disse que houve problemas nas travas elétricas e isso não foi constatado. Disse que houve perseguição e tiroteio, mas o carro não foi atingido por nenhuma bala. Afirmou ainda que o carro morreu, mas o carro é automático e, segundo a polícia, não poderia morrer.

– Sergio Gomes deliberadamente estancou marcha e abriu a trava da porta do automóvel para que Celso, como previamente acertado com os demais autores do crime, pudesse ser retirado e levado para a morte, como de fato o foi. Toda a ação foi, portanto, planejada e desenvolvida para a retirada do passageiro, único alvo de toda aquela encenação  – diz a denúncia do MP.

Os promotores dizem ainda mais de dez pessoas participaram da ação e que Sérgio Gomes da Silva pagou a quadrilha no mesmo momento em que Celso Daniel era retirado do banco de passageiro, com dinheiro que estava numa sacola dentro do próprio carro. Para o MP, Celso Daniel foi mantido em um suposto cativeiro apenas para encenar um crime comum.