Americanos desembarcam no Brasil prevendo prosperidade na agricultura

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Publicado domingo, 1 de dezembro de 2002 as 00:20, por: cdb

Mais de um século depois que seus antepassados começaram a lavrar nos Estados Unidos, a melhor esperança para Dan Carroll colocar seu filho no negócio da família é comprar terrenos no cerrado do Brasil.

Há dois meses, Carroll, de Cathage, Illinois, comprou uma fazenda de soja no subúrbio dessa cidade empoeirada cheia de caminhões e churrascarias que fica a 560 quilômetros ao nordeste de Brasília. Ele se juntou a uma dezena de americanos que começou a lavrar recentemente aqui.

“Não tenho dúvidas de que o Brasil é o futuro da agricultura global e eu quero que meu filho possa fazer parte disso”, disse Carroll, 46, em uma entrevista. “É caro demais para ele comprar terras nos Estados Unidos neste momento”.

Chegadas recentes como a de Carroll e seu filho, John, elevaram no número de agricultores americanos no Brasil para mais de 200, de acordo com a AgBrazil, uma companhia em Columbia, Missouri, que faz corretagem para compras de terras brasileiras.

Os números devem crescer conforme a fronteira agrícola do Brasil se expande. A recente desvalorização da moeda brasileira, o real, enfraqueceu grande parte da economia mas valorizou a exportação de produtos, especialmente da soja, nos últimos dois anos.

A explosão de exportação no Brasil está causando um aumento das plantações de soja pelo cerrado. O Brasil tem cerca de quatro vezes mais terras disponíveis para atividades agrícolas do que os Estados Unidos, principalmente por causa das melhorias na fertilidade do solo e do desenvolvimento de soja adequada aos trópicos.

A expansão da fronteira agrícola do Brasil nos últimos dois anos é mais ou menos igual a toda a plantação de soja de Iowa, de acordo com o relatório sobre o Brasil feito pelo Departamento de Agricultura dos EUA, que foi publicado em novembro.

“As pessoas que vêm para cá agora estão assustadas”, disse Thomas Shanks, fazendeiro de Nova York que está cultivando soja e milho no Brasil há quatro anos.

Shanks contou que todos os dias recebia ligações de fazendeiros americanos que estavam interessados em comprar terras no Brasil.

A maioria é atraída pelas terras relativamente baratas. Os preços variam, mas terrenos limpos no oeste da Bahia, o epicentro da explosão da soja, podem ser comprados por cerca de US$700 por acre, enquanto custariam US$3.850 em Illinois. Há poucas restrições para a compra de terrenos por estrangeiros no Brasil.

Pesquisadores americanos ajudaram o Brasil na década de 1970 a aprimorar os solos no cerrado, auxiliando a transformar o que já foi considerado um deserto hostil no que agora parece uma planície interminável de plantações.

Essa ajuda, de acordo com Richard A. Levins, professor de economia aplicada na Universidade de Minnesota, acabou sendo uma ajuda para nós mesmos, “destruindo a nossa mentalidade de superioridade”.