Americanos criticam plano de ‘comando militar europeu’

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Publicado quarta-feira, 30 de abril de 2003 as 08:52, por: cdb

Representantes dos governos dos Estados Unidos, da Grã-Bretanha e de outros países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) criticaram nesta terça-feira os planos anunciados por quatro países europeus de aumentar a cooperação entre eles na área da Defesa.

Em uma reunião de cúpula em Bruxelas, os líderes da Alemanha, França, Bélgica e Luxemburgo, todos membros da Otan, anunciaram que pretendem criar um sistema de planejamento militar conjunto a partir do ano que vem.

Eles também avançaram nas discussões sobre a criação de um quartel-general de uma força de defesa européia na qual a Otan não teria envolvimento.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Colin Powell, disse que não enxerga a necessidade da criação de uma força militar específica para nações européias, mas sim de melhorias nas estruturas de Defesa que estão em operação.

Críticas

“O que precisamos não é de mais quartéis-generais. O que precisamos é aprimorar a estrutura que já existem e aumentar sua capacidade “, disse Powell.

O ministro da Defesa da Grã-Bretanha, Geoff Hoon, fez um apelo para que Bélgica, Luxemburgo, Alemanha e França não perturbem a harmonia que existe entre a Otan e a União Européia (UE).

“A harmonia (.) deve ser o resultado de um consenso entre todos os membros e novos membros da UE”, disse o ministro durante uma visita à Hungria.

A Itália e a Espanha também manifestaram objeções à proposta discutida em Bruxelas.

O Alto Representante para a Política Externa e de Segurança Comum da UE, Javier Solana, não participou do encontro entre líderes da Alemanha, França, Bélgica e Luxemburgo. Também a Grécia, que detém atualmente a presidência rotativa da UE, não enviou representantes ao encontro.

No entanto, Solana descreveu a reunião em Bruxelas como uma iniciativa “positiva”.

Pilar de defesa

Os líderes dos países que participaram do encontro negaram que tenham realizado uma reunião anti-Otan, ou anti-Estados Unidos.

Em uma nota divulgada ao final das conversas, eles afirmaram que a Otan continua sendo um dos pilares da política de defesa européia.

“A aliança transatlântica continua sendo uma prioridade estratégica essencial para a Europa”, disseram.

Mas os quatro líderes deixaram claro que estão procurando estreitar a ligação entre os membros da UE.

“Chegou a hora de dar novos passos no sentido de construir uma Europa em que a segurança e a defesa sejam baseadas no fortalecimento da capacidade militar européia, que também irá revitalizar a aliança atlântica”, disse a mensagem.