Ameaças do Al-Qaeda recaem sobre novos alvos civis e militares nos EUA

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado terça-feira, 9 de outubro de 2001 as 22:37, por: cdb

Num pronunciamento desafiador, o porta-voz da Al-Qaeda (a Base – grupo liderado pelo terrorista saudita Osama bin Laden), Suleiman Abou-Gueith, afirmou nesta terça-feira que os atentados terroristas com aviões seqüestrados contra os EUA não terminaram com a pulverização das Torres Gêmeas e o incêndio no Pentágono.

Suleiman Abou-Gueith disse que a “batalha contra os EUA” não terminará até que o país “se retire de terras muçulmanas” – numa referência aos ataques aliados ao Afeganistão. O país controlado pelo Talebã abriga o refugiado saudita Osama bin Laden.

A Casa Branca ainda não se pronunciou oficialmente sobre a declaração do membro da Al-Qaeda.

Em mensagem transmitida pela rede de TV do Qatar Al-Jazeera, Abou-Gheit afirmou que o grupo acreditava em “terrorismo contra os opressores” e elogiou os terroristas que perpetraram os ataques do último dia 11 de setembro.

– Eles devem saber. A tempestade de aviões seqüestrados não cessará. Aqueles jovens que fizeram o que fizeram, destruindo os EUA com seus aviões, fizeram um bom serviço – disse Sleima Abou-Gheith, acrescentando que “milhares estão dispostos a morrer como os americanos estão dispostos a viver”.

A rede de TV árabe não explicou a origem da declaração, mas as imagens pareciam ser de um vídeo pré-gravado. Abou-Gueith apareceu com bin Laden em uma mensagem exibida no último domingo, na qual o terrorista saudita afirmava que os EUA “jamais teriam paz enquanto os palestinos não tivessem paz”.

O porta-voz da Al-Qaeda disse ainda que a ofensiva anglo-americana contra o Afeganistão e o povo afegão era a “cruzada que Bush havia prometido” e que isso dava aos muçulmanos “uma causa real e justa” para declarar a jihad, guerra santa, que classificou como um dever de todo o muçulmano.

– Eles devem saber que ao invadir a terra do Afeganistão, eles abriram uma nova página de hostilidade e conflito entre nós e as forças infiéis. Os EUA abriram uma porta que nunca se fechará. Eles devem saber que a batalha continuará na terra deles até que eles deixem a nossa terra e até que eles parem de apoiar os judeus e levantem as sanções injustas contra o Iraque – continuou Abou-Gueith.

No domingo, horas depois do início da ofensiva militar aliada contra o Afeganistão, a mesma rede de TV transmitiu um pronunciamento gravado de Osama bin Laden, o terrorista saudita apontado pelos EUA como o mentor dos atentados do dia 11 de setembro. Em tom ameaçador, Abou-Gueith afirmou que existem alvos americanos espalhados pelo mundo, e decretou: “todos os muçulmanos devem desempenhar seu papel completamente”, em aparente incentivo à realização de futuros ataques terroristas.