Ameaça de guerra causa a primeira demissão no governo inglës

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado domingo, 9 de março de 2003 as 15:06, por: cdb

Um deputado trabalhista se tornou neste domingo, o primeiro político a se demitir de um alto cargo no Governo britânico devido à crise iraquiana.

O deputado Andrew Reed confirmou sua renúncia como assessor da ministra britânica para o Meio Ambiente, Margaret Beckett, e que sua saída está diretamente relacionada com a possível intervenção do Reino Unido numa guerra contra o Iraque.

Em um comunicado através de seu site, Reed diz que esta segunda-feira explicará suas razões em detalhes, mas que apóia o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, “em seus esforços em encontrar uma solução pacífica para a crise iraquiana mediante a via da ONU”.

Há dias, Andrew Reed argumentou através de internet que, “se Saddam Hussein (o líder iraquiano) é um ditador cruel que encabeça um regime espantoso… a guerra nem sempre é a resposta”.

“Sempre disse que a via da ONU é a única que posso apoiar… Uma segunda resolução continua sendo crucial”, acrescentou.

A renúncia desse deputado, apesar de ser a primeira, pode não ser a única. Segundo informa este domingo o The Sunday Telegraph, pelo menos outros quatro deputados trabalhistas estão dispostos a abandonar seus postos se o primeiro-ministro decidir levar o Reino Unido à guerra sem mandato da ONU.

Além de Reed, o jornal identifica entre os possíveis demissionários os parlamentares Anne Campbell, Michael Jabez Foster e Tony Wright. Um quinto preferiu que seu nome não fosse divulgado.

Trata-se de deputados que ocupam cargos de assessores parlamentares de membros do Governo e que, nos cinco casos, já declararam publicamente sua disposição no caso.

O Reino Unido se comprometeu a atacar o Iraque junto com os EUA se o regime de Saddam Hussein não se desarmar até 17 de março, data do ultimato incluído no projeto de resolução apresentado por estes dois países e pela Espanha ao Conselho de Segurança da ONU.

Outro jornal dominical, The Sunday Times, informou este domingo que podem ser até 200 os deputados trabalhistas a votar contra o Governo em caso de Blair optar por intervir sem respaldo das Nações Unidas.

Na votação sobre a guerra que aconteceu no último dia 26 na Câmara dos Comuns, 121 parlamentares do partido de Blair voltaram as costas ao Executivo.

A última pesquisa no Reino Unido, feita pela empresa “ICM” e publicada hoje no diário News of the World, revela que 77 por cento dos britânicos que estão a favor da deposição de Saddam Hussein (já são 68 por cento) consideram imprescindível o apoio claro da ONU.

Segundo a enquete, apenas 15 por cento dos cidadãos desse país respaldariam um ataque militar sem necessidade de uma segunda resolução das Nações Unidas.