Alunos que participam de ocupações querem mais espaço nas decisões

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Publicado segunda-feira, 13 de junho de 2016 as 10:39, por: cdb
Atualizado em 14/06/16 16:52

As ocupações, que até o ano passado eram inéditas no Brasil, mas já conhecidas de países vizinhos, como o Chile, em 2006, na chamada Revolução dos Pinguins, contou com a adesão de mais de 600 mil estudantes

Por Redação, com ABr – de Brasília:

Uma escola mais plural, com melhor infraestrutura, professores qualificados e maior participação nas decisões são algumas das respostas dadas por estudantes que participaram de ocupações de escolas em vários Estados do país à pergunta de que escola desejam. Nesta semana, um grupo de estudantes do Espírito Santo, Rio Grande do Sul, de São Paulo, do Rio de Janeiro, de Goiás e do Ceará foram a Brasília, a convite da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, chamar a atenção do Congresso Nacional e do governo federal para o movimento dos secundaristas e pedir melhorias no setor.

Os estudantes relatam que aprenderam muito participando das ocupações
Os estudantes relatam que aprenderam muito participando das ocupações

– As ocupações deixaram claro que o que a gente quer é uma escola que debata gênero, uma escola mais plural. E onde seja importante o cuidado com o ambiente escolar. Hoje não há dinheiro para as escolas, se quer reformar um banheiro, não tem dinheiro – diz Luiz Felipe Costa, 19 anos, estudante do Instituto Federal do Espírito Santo. “Se formos fazer uma média, vamos achar que 90% das escolas públicas são modelos de prisão grande, com dois, três portões para chegar à sala de aula. Esse ambiente não nos comporta. A escola hoje, infelizmente, não contempla os estudantes”.

As ocupações, que até o ano passado eram inéditas no Brasil, mas já conhecidas de países vizinhos, como o Chile, em 2006, na chamada Revolução dos Pinguins, contou com a adesão de mais de 600 mil estudantes, ganharam força como estratégia dos estudantes secundaristas. Começaram em São Paulo, contra o processo de reorganização proposto pelo governo do Estado, ocorreram em Goiás, contra a proposta do governo estadual de terceirização da admnistração das escolas a organizações sociais (OSs), e no Espírito Santo, contra a reorganização do ensino.

Ocorrem ainda no Rio Grande do Sul, onde os estudantes pedem melhor infraestrutura, em Mato Grosso, contra a proposta de parcerias público-privadas (PPPs) nas escolas, além do Rio de Janeiro e Ceará, onde os estudantes apoiam os professores e pedem melhores condições de ensino.

– Os alunos estão indignados, querem reivindicar. As escolas estão sem reforma, há escola que nem banheiro tem, há diretor que está alugando banheiro por R$ 4 mil por mês. Tudo isso prejudica o aprendizado – diz Daniel Vítor Pereira de Abreu, 21 anos, diretor regional da União Nacional dos Estudantes, que participa das ocupações em Mato Grosso. Ele conversou com à Agência Brasil por telefone. No Estado, de acordo com os estudantes, são 24 escolas ocupadas.

Aprendizado

Os estudantes relatam que aprenderam muito participando das ocupações. Em todos os Estados, a programação incluía aulas públicas, limpeza da escola, debates e eventos culturais. “A ocupação transformou os estudantes. Aquela gurizada que não queria nada com nada, agora é que está sentada com professores tirando dúvidas, está limpando o banheiro, fazendo a janta”, relata Júllia Carolina da Silva Ferreira, 18 anos, estudante da Escola Estadual Professor Apolinário Alves dos Santos, a primeira ocupada em Caxias do Sul (RS).

Ela conta que estudantes que tinham pichado a escola, agora estavam limpando as paredes. “Estudantes que fizeram grafite nas paredes, estavam limpando e dizendo que não fariam isso nunca mais porque viram o quanto é difícil limpar. A escola foi ocupada e quando for desocupada, vai ser totalmente diferente”, diz Júlia.

– Na ocupação, eu me impressionei, os alunos tinham voz – relata o estudante Lincoln Oliver, de 18 anos, que participou da ocupação do Colégio Estadual Heitor Lira, no Rio de Janeiro. “Eu aprendi muito de direito, política, filosofia, sociologia, aprendi tanta coisa, a ter uma visão maior do que é o país, a sociedade, o governo. Eu acho que a educação é o básico e deve ser o meio pelo qual qualquer tipo de pessoa tenha uma formação adequada e infelizmente não é o que acontece hoje”.