Alta do IR ameaça recuperação do setor de serviços, diz Sebrae

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Publicado quinta-feira, 6 de janeiro de 2005 as 16:41, por: cdb

 O diretor-superintendente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-SP), José Luiz Ricca, avaliou hoje (6) que o aumento da base de cálculo do Imposto de Renda para prestadoras de serviços ameaça a continuidade da recuperação das micro e pequenas empresas (MPEs) paulistas.

– A medida é muito negativa, pois quebra uma estabilidade que vinha se desenhando para nós nos últimos meses. A tranqüilidade e a segurança do ambiente econômico são muito importantes para o investimento – disse.

Dados divulgados pelo Sebrae mostram que, apesar de amargar o pior desempenho entre os três setores analisados pela pesquisa mensal da entidade, no acumulado de janeiro a novembro, os serviços começaram a se recuperar nos últimos meses do ano. Em novembro, por exemplo, o faturamento real cresceu 6% sobre outubro, contra 1,9% do comércio e queda de 1,1% na indústria. Foi o melhor comportamento entre os três setores.

– A preocupação agora, é de ruptura no ritmo de recuperação – alertou Ricca, ao comentar as novas medidas na área tributária.

As micro e pequenas empresas do setor de serviços representam 35% de 1,05 milhão de MPEs cadastradas no Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade). No acumulado de 2004 até novembro, esse ramo de atividade registrou um desempenho fraco. O faturamento real, por exemplo, recuou 5,5% sobre novembro de 2003, enquanto a indústria teve alta de 7,5% e o comércio, de 0 1%. Já o nível de pessoal ocupado cresceu 2% no mesmo período, inferior aos 3,2% da indústria e aos 5,3% do comércio. E os gastos reais com salários recuaram 4,5%, em igual base de comparação, contra alta de 13,8% na indústria e 13,9% no comércio paulista.

Segundo Ricca, a expectativa dos empresários é de que o governo recue da MP 232, diante das repercussões negativas, ou que a medida não passe no Congresso.

– Não podemos mais ser pegos de surpresa. Esperamos que as repercussões levem a um entendimento que seja adequado a todos os lados envolvidos na questão – finalizou.