Allawi acredita em eleições no Iraque apesar da violência

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Publicado segunda-feira, 20 de setembro de 2004 as 09:18, por: cdb

O primeiro-ministro iraquiano, Iyad Allawi, disse em discurso no final dste domingo que as eleições no país ocorrerão em janeiro, como previsto, mesmo com a atual onda de violência e o grande número de reféns ameaçados de morte pelos rebeldes no Iraque.

– Vamos definitivamente cumprir o prazo eleitoral de janeiro do ano que vem – afirmou Allawi à imprensa, depois de uma reunião em Londres com o primeiro-ministro britânico, Tony Blair.
O estado de desordem das duas últimas semanas resultou na morte de centenas de pessoas no Iraque e colocou em dúvida a realização das eleições.

Um grupo militante ameaça matar dois norte-americanos e um britânico nesta segunda-feira. Um outro grupo faz a mesma ameaça a dez funcionários de uma companhia turca e norte-americana, casos suas reivindicações não sejam atendidas.

Ainda neste domingo, a rede de TV árabe Al Jazeera relatou que um grupo islâmico ameaçou matar 18 soldados iraquianos capturados, se as autoridades não libertarem um aliado do líder rebelde xiita Moqtada al-Sadr em 48 horas.

Outro grupo islâmico iraquiano afirmou ter degolado três integrantes do Partido Democrático do Curdistão, acusados de cooperarem com o governo interino apoiado pelos Estados Unidos.
O sequestro de cidadãos ocidentais tem forçado muitas empresas estrangeiras a reduzir ou desistir de suas operações no Iraque. Blair e Allawi disseram estar trabalhando para resolver as últimos sequestros.

– Não acho que eu possa ou tenha alguma coisa mais a dizer neste momento – afirmou Blair, em entrevista.

O Ministério das Relações Exteriores britânico fez um apelo aos iraquianos na TV Al Arabiya por informações sobre o refém britânico, Kenneth Bigley. Ele e os dois americanos capturados na última quinta-feira em Bagdá trabalham para uma empresa de engenharia baseada nos Emirados Árabes.

Um vídeo divulgado pela internet anunciou que o grupo liderado pelo jordaniano Abu Musab al-Zarqawi os mataria, caso prisioneiras iraquianas não fossem libertadas. O prazo dado termina nesta segunda-feira.

Washington identificou Zarqawi, aliado da al Qaeda, como o seu principal alvo no Iraque. A recompensa pela sua captura é 25 milhões de dólares . Ele seu grupo têm assumido a responsabilidade dos ataques mais sangrentos. 

Um carro-bomba explodiu neste domingo perto do reduto rebelde de Samarra, ao norte de Bagdá, matou um soldado iraquiano e feriu três norte-americanos, segundo os militares dos Estados Unidos.

Um dia antes, um ataque suicida com um carro-bomba, em Kirkuk, matou, segundo médicos, pelo menos 23 pessoas que esperavam em uma fila para se recrutar para empregos na Guarda Nacional do Iraque.

No fim de semana, em Bagdá, um outro carro-bomba matou dois soldados norte-americanos. Em Falluja, um ataque aéreo dos Estados Unidos na noite do último sábado matou quatro pessoas, de acordo com os médicos. Eles afirmaram que mais quatro pessoas foram mortas em uma ação na cidade na manhã deste domingo.