Alistamento no exército dos EUA não garante cidadania

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Publicado segunda-feira, 7 de abril de 2003 as 17:26, por: cdb

A concessão de cidadania americana póstuma a três soldados imigrantes mortos no Iraque gerou polêmica e levaram as autoridades a lembrar que o alistamento no exército dos Estados Unidos não traz benefícios migratórios.

O porta-voz do Birô de Cidadania e Serviços Migratórios (BCIS), Dan Kane, disse que as notícias sobre vários soldados nascidos em países latino-americanos mortos no Iraque levaram muitos às portas das embaixadas dos Estados Unidos para solicitar visto mediante o alistamento no exército.

Segundo o porta-voz, se apresentaram às missões dos Estados Unidos no México e na Bolívia, entre outros países, voluntários que querem participar da campanha militar no Iraque, em troca de supostos benefícios migratórios.

“Para entrar no exército dos Estados Unidos é preciso ser residente legal permanente ou cidadão, não se aceitam pessoas com visas de turista, de negócios, sob o Status de Proteção Temporária (TPS) ou sem documentos”, afirmou Kane.

O benefício migratório ao qual podem recorrer os militares em serviço ativo é agilizar seu processo de cidadania, já que não têm que esperar cinco anos para apresentar sua solicitação de naturalização, como requer a lei para os civis.

Isto se tornou possível graças a uma ordem executiva do presidente George W. Bush, e só tem vigência durante conflitos armados, entre os quais se inclui a luta global antiterrorista.

A medida beneficiará cerca de 15.000 soldados de origem estrangeira que se inscreveram a partir de 11 de setembro de 2001 e, segundo as autoridades, pouco mais de 5.400 já aproveitaram a oferta desde que entrou em vigor.

As autoridades federais já concederam a cidadania americana póstuma aos mexicanos Francisco Martínez Flores e José Angel Garibay, e ao guatemalteco José Gutiérrez, mortos no Iraque.

As solicitações de outros soldados imigrantes mortos na guerra contra o Iraque, como a do colombiano de 19 anos Diego Fernando Rincón estão em processo e espera-se sua rápida aprovação.

Entretanto, os parentes destes soldados não receberão os benefícios migratórios que normalmente acompanham a concessão da cidadania em vida.

Desde que começou a guerra contra o Iraque há mais de duas semanas morreram oito soldados imigrantes; dois dos prisioneiros de guerra e dois dos desaparecidos também nasceram fora dos Estados Unidos.

Deste total de 12, só quatro eram cidadãos dos Estados Unidos quando foram enviados a Iraque.

Entre os que se naturalizaram antes da guerra, estão Fernando Padilla Ramírez, nascido no México e que cresceu em San Luis (Arizona) e desde a semana passada foi listado como desaparecido pelo Pentágono.

Os prisioneiros de guerra também incluem Shoshana Johnson, do Panamá, cuja família mora no Texas.

Segundo dados do Departamento de Defesa, mais de 37.000 integrantes ativos das forças americanos não são cidadãos dos Estados Unidos, e um terço destes estrangeiros são latino-americanos.