Alimentos e energia elevam inflação

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Publicado terça-feira, 9 de setembro de 2003 as 10:23, por: cdb

A inflação ao consumidor medida pelo IPCA acelerou levemente em agosto, influenciada por um menor alívio dos custos de alimentos e pressões de tarifas. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo subiu 0,14 ponto percentual e registrou inflação de 0,34% em agosto, na comparação com julho, quando o indicador ficou em 0,20%. O resultado está dentro da previsão dos analistas. A média das previsões de dez analistas consultados pela Reuters apontava para uma inflação de 0,34% mesmo, com as estimativas variando de 0,28% a 0,49%.

Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), os preços dos alimentos continuaram recuando, mas de forma menos acentuada. Em agosto a queda foi de 0,27%, ante uma queda de 0,67% em julho. A energia elétrica subiu 2,03% em agosto e representou a maior contribuição individual no índice, com 0,09 ponto percentual, influenciada pelos reajustes nas tarifas de São Paulo e Belém. Já a gasolina, após cinco meses em queda, teve alta de 0,37.

Com a taxa de agosto, o IPCA acumula alta de 7,22% no ano, acima do percentual de 4,85% relativo a igual período de 2002. Nos últimos doze meses, o índice situou-se em 15,07%, resultado inferior aos doze meses imediatamente anteriores (15,43%). Em agosto de 2002, o IPCA teve variação de 0,65%.

A pequena aceleração da inflação não chega a preocupar analistas, que acreditam que o IPCA deverá manter-se em níveis baixos até o final do ano, principalmente por causa da fraca demanda doméstica abatida pelas altas taxas de juros, que só começaram a ser revertidas em junho.

No grupo Alimentação e Bebidas, o principal item a apresentar alta de um mês para o outro, foi a carne bovina, que passou de 0,73% em julho para 2,30% em agosto. A maioria dos produtos apresentou redução em seus preços, com destaque para batata-inglesa (-20,43%), tomate (-18,28%), feijão carioca (-7,29%) e cebola (-4,31%). A cerveja, que em julho teve alta de 5,46% por causa de encargos tributários, aumentou menos em agosto (2,24%). Em oito meses, os alimentos acumulam 5,49% de alta.

Os produtos não alimentícios aumentaram 0,53% e ficaram acima do resultado de 0,47% de julho. O álcool continuou caindo, mas de forma menos significativa: passou de -10,28% para -0,52%.

Entre as regiões pesquisadas, o maior índice de energia registrado foi de Belém (0,92%), onde as tarifas tiveram variação de 17,52% por causa do reajuste de 27% no dia 08 de agosto. O menor índice ficou com Fortaleza (0,03%).

O IPCA é calculado pelo IBGE desde 1980 e se refere às famílias com rendimento monetário de 1 a 40 salários-mínimos, qualquer que seja a fonte. Abrange nove regiões metropolitanas do País, além do município de Goiânia e de Brasília. Para cálculo do IPCA de agosto foram comparados os preços coletados no período de 29 de julho a 27 de agosto (referência) com os preços vigentes no período de 28 de junho a 28 de julho (base).
O IPCA também é usado como referência para a meta de inflação do governo. O Copom (Comitê de Política Monetária) analisa o IPCA para definir o rumo das taxas de juros. A próxima reunião do Comitê acontece nos dias 16 e 17 de setembro.

INPC de agosto teve variação de 0,18%

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) apresentou variação de 0,18% em agosto, resultado superior à taxa de julho (0,04%) em 0,14 ponto percentual. Em oito meses, o INPC acumula taxa de 8,08%, acima do percentual de 5,51% relativo a igual período de 2002. Nos últimos doze meses, o índice situou-se em 17,53%, resultado inferior aos doze meses imediatamente anteriores (18,32%). Em agosto de 2002, o INPC teve variação de 0,86%.

Em agosto, os preços dos alimentos caíram 0,48%, menos do que em julho, quando caíram 0,91%. Os não alimentícios, com variação de 0,48%, tiveram o mesmo resultado de julho.

O maior índice regional foi registrado em Belém (0,65%). Já as menores taxas foram registradas em Recife (-0,34%), F