Alien x Predador reúne monstros no meio do deserto

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Publicado sábado, 4 de setembro de 2004 as 18:28, por: cdb

“Alien x Predador” reúne dois dos mais conhecidos títulos de ficção da Fox, mas não devemos deixar de reconhecer a influência de um terceiro título, este não da Fox: seria “A Múmia”.

Para juntar os Aliens, que preferem o espaço sideral, com os Predadores, caçadores invisíveis que frequentam as selvas e as cidades do interior da Terra, o diretor britânico de ficção científica Paul W.S. Anderson situa a ação no interior de uma pirâmide.

Para tornar as coisas mais confusas, a pirâmide está enterrada debaixo da calota de gelo da Antártida — por que? Não sabemos. Em todo caso, nas profundezas da pirâmide, “Alien x Predador” guarda semelhança maior com filmes que envolvem cadáveres egípcios, Indiana Jones e Lara Croft. O longa estréia no Brasil nesta sexta-feira.

Quando surgiu, em 1979, “Alien” foi uma obra de ficção científica inovadora. Seu visual artístico e as estratégias que utilizou para semear o medo na platéia eram revolucionários.

Desta vez, porém, a quinta em que vemos as criaturas gosmentas que mudam de forma a toda hora, os Aliens já estão dando a impressão de estarem em boa hora para se aposentarem.

Enquanto isso, os guerreiros Predadores, que nunca alcançaram o status artístico dos Aliens, parecem melhores invisíveis. Quando visíveis, eles lembram robôs abridores de latas que enlouqueceram.

Paul Anderson, que escreveu o roteiro a partir de uma história redigida para a tela por Dan O’Bannon, Ronald Shusett e ele próprio, encontra uma substituta para Ripley (Sigourney Weaver), a heroína principal dos filmes “Alien”.

A nova heroína é Alexa Woods, “Lex”, representada com intensidade direta e franca por Sanaa Lathan. Lex lidera uma expedição montada às pressas que sai em busca da pirâmide antiga situada debaixo do gelo. O grupo foi montado pelo industrial bilionário Charles Bishop Weyland (Lance Henriksen).

Sebastian (o ator italiano Raoul Bova), um sujeito que, milagrosamente, consegue ler os hieróglifos antigos que não pertencem a nenhuma cultura específica, é o primeiro a decifrar o dilema da expedição.

Parece que ela, por azar, foi cair no meio de uma guerra entre duas raças alien, um conflito que se desenrola há milhares de anos.

A história é mais ou menos a seguinte: os Predadores gostam de caçar, e sua presa favorita são os Aliens. A cada cem anos uma rainha Alien, que é mantida em cativeiro na pirâmide debaixo do gelo, bota centenas de ovos.

Os Predadores atraíram os humanos para o covil da rainha Alien para que desempenhem o papel de incubadores dos filhotes Aliens. Quando estes saírem dos ovos, os guerreiros Predadores poderão divertir-se caçando e matando Aliens.

Não é uma premissa muito inteligente — mas de que outra maneira juntar as duas franquias?

Filmado em Praga, a um custo bastante módico para um trabalho de ficção sobre monstros, “Alien x Predador” se beneficia de uma equipe técnica de primeira linha.

O que o filme possui de mais criativo é o set desenhado por Richard Bridgland. A pirâmide é um labirinto escuro e diabólico que se reconfigura a cada dez minutos. Com isso, blocos do teto, chão e paredes se deslocam de um lugar a outro, separando os personagens e prendendo-os dentro de cubículos e corredores cada vez mais amedrontadores.

Mas os próprios seres que povoam a história já são conhecidos demais. Em função disso, falta a “Alien x Predador” o principal: o fator susto.