Aliados?

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Publicado sexta-feira, 14 de março de 2003 as 19:43, por: cdb

Há um meio de preparar a guerra deixando ao mesmo tempo a porta aberta à diplomacia? Tendo em conta as opiniões divergentes na ONU, Washington encontrou a resposta nesta quinta-feira, levantando pouco a pouco todos os cenários possíveis sobre o Iraque.

Em duas coletivas para a imprensa, o porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer, multiplicou as mensagens evasivas e contraditórias. Num primeiro tempo, evocando “nova flexibilidade” de George W. Bush, Fleischer indicou que os Estados Unidos estariam prontos para prosseguir “na próxima semana” as negociações sobre uma nova resolução.

Acrescentou que o Presidente tem um voto da ONU. Um pouco mais tarde, o mesmo Fleischer assegurou que “a diplomacia pode chegar ao seu fim” e recordava que “o Presidente tem a autoridade nacional e internacional” para desencadear uma intervenção militar contra Bagdad, mesmo sem nova resolução.

Há algumas horas de novas consultas ao Conselho de Segurança, os Estados Unidos parecem deixar a possibilidade de decidir no último minuto qual será a seqüência da crise iraquiana. “Continuamos com objetivo de falar com os membros do Conselho de segurança a respeito de uma posição que não suscitaria um veto, explicou o secretário de Estado, Colin Powell, mas todas as opções continuam abertas: “ir ao voto e ver que os países membros dizem, ou não ir ao voto.”

Em vinte e quatro horas, nenhum progresso foi realizado em torno do plano dos britânicos que fixava “seis condições” à Saddam para desarmar. Nesta quinta-feira, a França, seguida pela Rússia e pela China, rejeitou esta proposta britânica, explicando que “inscreve-se numa lógica de guerra”. Imediatamente, Londres atacou violentamente Paris: “a França olhou a proposta britânica e rejeitou-a antes mesmo que o Iraque faça-o”, disse Fleischer.

Washington espera a reunião dos seis membros indecisos do Conselho (Paquistão, Chile, México, Camarões, Guiné, Angola) que lhe permitiria recolher uma maioria de nove no total de quinze votos. A esperança, no entanto, é pequena. Apesar do otimismo de Washington que diz “fazer progressos junto ao Conselho”, os “seis indecisos” não parecem prontos para apoiar uma segunda resolução. Estes trabalharam toda a semana sobre a proposta de uma série de testes de desarmamento a impor em Bagdad no prazo de 45 dias.

A maior parte dos diplomatas considerou nesta quinta-feira que “ainda que Washington discuta brevemente”, o cenário mais provável é de “uma guerra aconteça o mais breve possível, sem voto de resolução”.