Aliados a favor da guerra marcam reunião de cúpula sobre o Iraque

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Publicado sexta-feira, 14 de março de 2003 as 13:23, por: cdb

Os primeiros-ministros da Grã-Bretanha, Tony Blair, e da Espanha, José María Aznar, se reunirão neste fim de semana com o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, para discutir os últimos passos na crise com o Iraque.

O anúncio, feito inicialmente por fontes do governo britânico, foi confirmado posteriormente pela Casa Branca.

Embora os três lados insistam que o diálogo focalizará os esforços diplomáticos para evitar a guerra, a reunião de cúpula coincide com uma intensa mobilização militar dos Estados Unidos no Mediterrâneo e no Golfo Pérsico.

“A situação ainda é muito fluida e dinâmica… O fim de semana será o momento para uma atividade diplomática intensa e contínua”, declarou um porta-voz de Blair.

O encontro acontecerá no arquipélago português de Açores.

Estados Unidos, Espanha e Grã-Bretanha são co-autores da nova resolução em debate no Conselho de Segurança da ONU, a qual virtualmente autoriza um ataque ao Iraque como forma de punir o país por não cumprir as determinações anteriores relativas ao desarmamento.

Esta semana, depois que França e Rússia – ambas com poder de veto no Conselho de Segurança – anunciaram publicamente sua oposição à resolução, os Estados Unidos intensificaram as negociações visando a arrebanhar apoio dos demais países-membros.

A reunião em Açores deverá representar o último esforço dos três países visando a salvar a resolução.

Um funcionário da Casa Branca disse que Bush, Blair e Aznar discutirão “a defesa final da resolução”, assim como “os termos da resolução e as perspectivas de sua aprovação”.

Nesta sexta-feira, a idéia de Washington ainda era colocar a resolução em votação na próxima semana, mas sem descartar uma outra alternativa: desistir de vez do documento.

Blair fala com Chirac

Também pela manhã, Blair conversou por telefone, durante 10 minutos, com o presidente da França, Jacques Chirac.

Foi a primeira vez que os dois líderes se falaram desde que Paris ameaçou vetar a nova resolução sobre o Iraque.

Segundo assessores de Blair, Chirac expressou disposição em se juntar a Londres nas tentativas de desarmar o Iraque.

A Grã-Bretanha alega que a ameaça da Franca em usar seu poder de veto no Conselho de Segurança só tornaria a guerra ainda mais provável.

Na quinta-feira, o ministro do Exterior francês, Dominique de Villepin, usou um tom mais conciliatório ao abordar o impasse. “Queremos uma solução e estamos buscando o consenso dentro do Conselho de Segurança”, disse.