Aliado de Fujimori serão julgados nesta terça no Peru

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Publicado terça-feira, 18 de fevereiro de 2003 as 13:24, por: cdb

Depois de vários adiamentos, será realizada nesta terça-feira a primeira audiência pública com o ex-chefe do serviço secreto do Peru Vladimiro Montesinos, acusado de tráfico de influência durante o governo de Alberto Fujimori.

A decisão foi confirmada pelas autoridades judiciais depois de desprezarem uma recusa apresentada por Montesinos, que acusava os juízes designados para o caso de falta de imparcialidade.

Essa será a primeira audiência púbilca de Montesinos, que já foi condenado a nove anos de prisão por abuso de poder, em um julgamento a portas fechadas, em julho do ano passado. Ele também é acusado de outros 57 crimes, de corrupção a abuso de direitos humanos.

Dessa vez, ele é acusado de ter usado a sua posição privilegiada no governo para facilitar a concessão de um indulto para Américo Pérez Ortega, irmão de sua amante na época, Jacqueline Beltrán, que foi libertado da prisão em 1997.

‘Riscos’

O ex-assessor do então presidente Alberto Fujimori também alega que sua vida correrá um ‘risco desnecessário’, já que ele terá de ser transportado de helicóptero entre a base naval de Callao, onde está preso, até a colônia penal de San Pedro, em Lima, onde acontecerá a audiência.

No entanto, o presidente da Corte Superior de Lima, Víctor Mansilla, garantiu que as medidas de segurança são adequadas e que incluem a formação de vários anéis de proteção ao redor do presídio.

Mansilla disse ainda que a penitenciária é bem localizada e apresenta condições de segurança adequadas.

“A polícia nos deu todas as garantias nesse caso”, disse.

O início das audiências no julgamento de Montesinos acontece em um momento delicado para o Judiciário peruano, que vem sofrendo reestruturação.

A Justiça tomou uma série de decisões controversas, e o julgamento de Montesinos está sendo visto por muitos analistas como uma prova de fogo para os juízes.

“Esse é um desafio tremendo que assumimos com humildade e também com decisão”, disse Víctor Mansilla depois de uma reunião com os três magistrados do caso, liderados por Inés Villa, a juíza especializada em casos de corrupção no Peru.

Ele acrescentou ainda que Villa não permitirá que Montesinos se aproveite do interesse que o caso desperta na imprensa. Cerca de 200 pessoas, entre jornalistas e espectadores, assistirão à audiência.

Na sexta-feira, ele será levado à Corte para julgamento das acusações de ter dado US$ 25 mil a Luis Bedoya de Vivanco, ex-prefeito de Miraflores, como contribuição para a campanha eleitoral de 1998.

Montesinos é acusado de ter sido a gota d’água para a queda de Fujimori, em 2000, que deixou o poder depois do escândalo provocado por uma fita de vídeo que mostrava Montesinos aparentemente subornando um político da oposição.

O ex-chefe da inteligência peruana fugiu de Lima na época do escândalo, mas foi preso na Venezuela em junho de 2001.

O julgamento de Montesinos está mergulhado em controvérsia porque muitos acreditam que ele tenha sob seu poder fitas de vídeo incriminadoras, mostrando suas transações corruptas com juízes.