Alemanha quer o fim da ‘Era Saddam’

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Publicado sábado, 5 de abril de 2003 as 09:30, por: cdb

Berlim aposta em vitória dos EUA. Americanos dizem controlar aeroporto de Bagdá. Iraque afirma ter cercado os invasores. Tropas encontram antídotos contra armas químicas. Grávida suicida mata três soldados americanos.

“Claro que esta guerra terminará com uma vitória dos aliados. Outro desfecho não é possível diante da relação de forças, nem é desejado na atual situação”, declarou o chefe de governo da Alemanha, Gerhard Schröder, nesta sexta-feira, numa entrevista à tevê ZDF. Na rádio Deutschlandfunk, o ministro da Defesa, Peter Struck, disse desejar que “o regime de Saddam Hussein seja derrotado o mais rápido possível” para que se evite maior mortandade de civis e soldados iraquianos.

Mesma opinião já havia sido expressa na quarta-feira pelo ministro do Exterior, Joschka Fischer, após encontro com o colega britânico James Straw. Estas foram as primeiras declarações dos governistas alemães a favor de uma vitória da coalizão anglo-americana. Até esta semana, social-democratas e verdes condenavam a guerra e discutiam a reconstrução do Iraque.

Papel das Nações Unidas

Em Paris, os ministros do Exterior da Alemanha, Joschka Fischer, da França, Dominique de Villepin, e da Rússia, Igor Ivanov, voltaram a defender um papel central para a ONU no pós-guerra. “É importante enfatizar que questões como combate ao terrorismo, da situação humanitária e da integridade territorial do Iraque só podem ser tratadas legitimamente na ONU”, declarou Fischer.

Em Washington, recém-chegado de Bruxelas, o secretário de Estado, Colin Powell, reafirmou perante o Congresso americano o que comunicou pessoalmente aos europeus. “Não assumimos este grande fardo com nossos parceiros de coalizão para depois não termos um papel dominante no que acontecerá no futuro”, disse Powell.

Combates em Bagdá

O Comando Central Americano no Catar anunciou que, após 17 horas de combates, suas tropas assumiram o controle do Saddam International Airport nesta sexta-feira. “Aliás, ele tem agora um novo nome, Aeroporto Internacional de Bagdá, e será a porta para o futuro do Iraque”, declarou o general Vicent Brooks.

Segundo imagens da emissora CNN, entretanto, ainda durante esta sexta-feira havia troca de tiros na área do aeroporto. O Ministério da Informação do Iraque afirmou, por sua vez, que os soldados inimigos teriam sido cercados e isolados. O ministro Mohammed Sahhaf conclamou as unidades americanas a se renderem, pois não teriam chance de sair de lá com vida.

Ao ler um comunicado atribuído a Saddam, Sahhaf disse que “com a ajuda de Deus nós vamos assar suas barrigas no inferno”. Noutro informe, o ministro ameaçou usar “meios não convencionais”, pois esta seria “o único caminho para se lidar com estes mercenários”.

Invasão ou cerco?

Segundo a imprensa americana, Washington pretende proclamar a vitória no Iraque mesmo que suas tropas não tenham conquistado Bagdá. Até mesmo o anúncio de uma administração provisória estaria sendo planejada pelo Pentágono já para a próxima semana. Os militares pretenderiam isolar a capital e declarar o governo de Saddam como irrelevante, informou a CNN.

O chefe do Estado-Maior, Richard Myers, já deixou transparecer que não há necessariamente planos de marchar pelas ruas de Bagdá. O comando americano teme o custo de travar combates urbanos. “Se Bagdá estiver isolada, não pode mais controlar o país”, afirmou o general.

Ao que tudo indica, a população está fugindo da capital. Testemunhas mencionam longas filas de automóveis deixando a cidade em direção ao norte

Há suspense sobre o paradeiro da Guarda Republicana do Iraque. Observadores ocidentais acreditam que o rápido avanço das tropas americanas só se justifica com o recuo estratégico das unidades de elite de Saddam Hussein para dentro dos limites urbanos da capital. O coronel Steve Pennington afirma, entretanto, que muitos combatentes se renderam nos últimos dois dias. Somente na sexta-feira teriam se entregue 2500 soldados da gu