Alemanha proíbe símbolos religiosos

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Publicado segunda-feira, 22 de dezembro de 2003 as 05:32, por: cdb

O chanceler alemão Gerhard Schroeder aderiu em parte às restrições da França contra o uso do véu islâmico e outros símbolos religiosos em instituições públicas. Schroeder manifestou-se contra o uso do véu islâmico pelas professoras da rede pública de ensino alemã. Afirmou que a vestimenta islâmica ‘não tem lugar entre os funcionários públicos’, segundo entrevista publicada pelo semanário ‘Bild am Sonntag’.

O debate sobre a proibição do uso do véu pelas professoras muçulmanas acirrou uma disputa que vem desde setembro, quando a mais alta corte de Justiça do país decidiu que os véus podiam ser usados, a menos que uma legislação específica os proibisse.

Até agora, Schroeder não havia feito comentários sobre a questão, mas agora afirmou que a Alemanha é um Estado secular e funcionários públicos não podem usar símbolos religiosos no trabalho.
 
– Os véus não têm lugar entre os funcionários,incluindo as professoras – disse Schroeder.
Mas, ao contrário da França, que analisa um projeto de lei para proibir o véu, o quipá judeu e crucifixos de tamanho exagerado pelos alunos nas escolas públicas, a decisão do governo alemão enfoca apenas os professores, não os alunos.
 
– Não posso evitar que alunas usem o véu nas salas de aula – disse Schroeder.

Até agora, apenas os Estados da Baviera e Baden-Wuerttemberg haviam proposto legislação que impede as professoras de usarem o véu, embora vários outros dos dezesseis Estados estejam analisando a questão.

Em Paris, mais de 3 mil pessoas – mais da metade, mulheres e crianças muçulmanas – fizeram manifestação em Paris contra a proibição do véu em escolas públicas, gritando ‘O véu, minha escolha’.
 
 A manifestação foi a primeira na capital francesa desde que o presidente Jacques Chirac anunciou a proibição dos símbolos religiosos nas escolas, para proteger a separação do Estado da religião. Os alunos ainda terão permissão de usar símbolos discretos de fé, como pingentes islâmicos, a estrela de David ou pequenas cruzes.

Chirac pediu ao Parlamento que aprove o projeto em tempo para o ano escolar 2004-2005, que começa em setembro. O presidente francês também propôs dar aos presidentes das empresas o direito de decidir se símbolos religiosos podem ser usados no trabalho. A lei proíbe ainda que pacientes se recusassem a ser tratados por médicos do sexo oposto.

Os manifestantes, cantando a Marselhesa e empunhando bandeiras francesas gritavam ‘Amada França, onde está minha liberdade?’ e outros slogans. Para os manifestantes, as medidas propostas estigmatizarão os muçulmanos. Estes acham que o quipá e o crucifixo, de uso muito mais limitado, foram incluídos apenas para justificar a proibição do véu.

Influentes religiosos muçulmanos conclamaram os fiéis a usarem sua influência política e econômica na França para combaterem o projeto de lei, enquanto o principal líder religioso da Síria pediu ao presidente Chirac que reconsidere sua posição, lembrando a tradição francesa de coexistência de religiões e nacionalidades.