Alemanha gastará 15 bilhões de euros com imigrantes

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Publicado quinta-feira, 8 de outubro de 2015 as 12:05, por: cdb

Por Redação, com ABr – de Berlim/Paris:

A Alemanha gastará 15 bilhões de euros, este ano e no próximo, para tratar dos refugiados, segundo informações divulgadas nesta quinta-feira pelos principais institutos econômicos do país.

Os representantes desses institutos abordaram as implicações econômicas para a Alemanha da crise dos refugiados, ao apresentar, em entrevista em Berlim, o Diagnóstico Conjunto de outono.

Eles estimam que a chegada, em grande número, de pedidos de asilo à Alemanha – estimados em 900 mil em 2015, diante dos 800 mil previstos pelo governo – terá custo de 4 bilhões de euros este ano e de 11 bilhões em 2016.

A Alemanha gastará 15 bilhões de euros, este ano e no próximo, para tratar dos refugiados
A Alemanha gastará 15 bilhões de euros, este ano e no próximo, para tratar dos refugiados

Essa despesa, principalmente o gasto público, em alojamento e alimentação, por exemplo, e o consumo direto, transferências para os refugiados, “funciona como um programa de impulso” econômico do governo, disse Ferdinand Fichtner, do Instituto Alemão para a Investigação Econômica.

Os 11 bilhões de euros destinados a refugiados no próximo ano equivalem a 0,75% do Produto Interno Bruto (PIB) da Alemanha, disse Fichtner.

Oliver Höltenmüller, do Instituto Leibniz para a Investigação Econômica de Halle, destacou que, sem dúvida, a Alemanha tem “força econômica” para enfrentar a crise dos refugiados, considerando que “é uma questão de vontade política, não de capacidade financeira.

Para que o processo tenha sucesso em termos econômicos, a integração dos refugiados no mercado de trabalho é o mais importante, disse Roland Döhrm, do Instituto de Renania-Westfalia para a Investigação Econômica.

Os economistas apostam em cursos de línguas, formação profissional e reconhecimento de qualificações, bem como a simplificação dos processos burocráticos, para facilitar a empregabilidade dos refugiados.

O documento mostra como a integração dos refugiados no mercado de trabalho pode reverter o envelhecimento da sociedade alemã e evitar possíveis desequilíbrios nas finanças públicas, devido ao aumento do custo total das pensões.

De acordo com o Diagnóstico Conjunto, a taxa de desemprego ficará este ano em 6,4% e crescerá ligeiramente em 2016 para 6,5%, enquanto o crescimento da maior economia europeia será em 2015 de 1,8%.

Crise dos refugiados

A chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, François Hollande, fizeram pronunciamento conjunto no Parlamento Europeu, em Strasburgo, na França, apelando por maior integração e cooperação para lidar com o grande desafio que o bloco enfrenta no momento: a crise de refugiados.

Pela primeira vez em 26 anos, líderes dos dois países se dirigiram ao parlamento em um discurso conjunto. Em 1989, logo após a queda do Muro de Berlim e o fim da Alemanha dividida, o então chanceler alemão Helmut Kohl e o presidente da França à época, François Mitterrand, celebraram o momento histórico, que representava o fim da Guerra Fria e falaram em expansão e fortalecimento do bloco europeu.

Mas, desta vez, o clima é de uma União Europeia ameaçada. A falta de entendimento sobre como lidar com a crise de refugiados criou tensões entre os países-membros. E alguns, como a Hungria, se voltaram para a proteção e os interesses nacionais, com o isolamento de fronteiras com muros e cercas. A aprovação do plano para realocar 160 mil refugiados passou por maioria, não por consenso. “Eu estou convencido de que, se nós não formos além, nós vamos regredir e será o fim do projeto europeu”, disse Hollande.

A ênfase do discurso, na quarta-feira, foi por maior unidade para enfrentar o desafio de acolher mais de meio milhão de pessoas que cruzaram as fronteiras europeias este ano. “Os padrões humanitários mínimos para acomodação de refugiados e processamento dos pedidos de asilo precisam ser assegurados. Nós precisamos nos orientar com base nos valores dos tratados europeus: dignidade humana, tolerância, respeito aos Direitos Humanos e solidariedade”, afirmou Merkel.

O atual sistema de registro do refugiado no país de chegada foi criticado como “obsoleto”, levantando, mais uma vez, a questão da reformulação das leis de asilo. E ambos os líderes reforçaram a urgência em lidar com os problemas que estão na raiz da crise: a guerra na Síria e a situação na Turquia, onde estão cerca de dois milhões de refugiados sírios e cujo litoral tem sido usado intensamente como rota até a Europa. Formas de cooperação com o governo turco estão sendo discutidas, para que os refugiados possam ser recepcionados e abrigados no país, com apoio da União Europeia.