Alemanha exiberá vídeo de ritual canibal

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Publicado domingo, 7 de dezembro de 2003 as 16:33, por: cdb

O julgamento contra Armin Meiwes, um técnico em informática alemão de 42 anos que confessou ter matado um homem e comido boa parte de seu corpo, exibirá nesta segunda-feira, a portas fechadas, o vídeo gravado pelo próprio acusado ao matar e comer a vítima.

Um porta-voz do Tribunal Provincial de Kassel (centro do país), onde ocorrem as 14 audiências do julgamento até o final de janeiro, informou que a projeção do vídeo não será aberta ao público porque seu conteúdo atenta contra os bons costumes.

O vídeo é uma prova material decisiva para determinar se a vítima, um engenheiro de Berlin de 43 anos, voluntariamente foi morto e devorado, como declarou Meiwes na quarta-feira passada na primeira sessão do julgamento.

O acusado também explicou que seu interesse pelo canibalismo existe desde a puberdade, quando sonhava em comer companheiros de colégio e se sentia sozinho por não ter um irmão menor.

Na audiência de amanhã irão depor os funcionários da polícia que interrogaram Meiwes após sua detenção.

A Promotoria acusa o réu de assassinato com motivação sexual e perturbação do descanso dos mortos, enquanto a defesa argumenta que o homicídio foi consentido.

Segundo a edição de ontem do jornal “Bild”, o vídeo em questão tem duas horas de duração e 12 pessoas terão que vê-lo: três juízes, três membros do júri, o promotor, o advogado de defesa, três autores de relatórios e o próprio acusado.

Segundo a declaração de Meiwes, a vítima tomou 20 comprimidos para dormir e meia garrafa de licor antes de ter seu pênis cortado e comido, depois de passado na frigideira.

Em seguida, o réu matou a vítima com uma punhalada no pescoço, decapito o cadáver e o esquartejou, congelando suas partes para comê-las posteriormente.

Na abertura do julgamento, o canibal confessou ter gravado o vídeo para se masturbar vendo-o e declarou que “contemplou o momento que cortou e arrancou as tripas do cadáver”. Meiwes ainda extraiu imagens da gravação para arquivá-las num computador.

A vítima respondeu a um anúncio do acusado, que procurava homens dispostos a serem devorados, e viajou para a casa de Meiwes, na pequena localidade de Roteburgo do Fulda.

As autoridades encontraram o suposto canibal graças à advertência de um estudante da cidade austríaca de Innsbruck que, depois de descobrir na internet um anúncio no qual Meiwes buscava novas vítimas, avisou à central do Escritório Federal de Crimes (BKA), a polícia criminal alemã.

Em dezembro do ano passado, a polícia revistou a casa de Meiwes, um casarão do século XVIII onde ele vivia sozinho, ocupando poucos quartos depois da morte de sua mãe, e encontrou quatro bolsas de plástico com restos humanos no congelador, vários ossos e um crânio humano enterrados no jardim.

As autoridades levaram do casarão 16 computadores pessoais, 221 discos rígidos e 307 vídeos de conteúdo relacionado a práticas canibais.