Al Jazira tem problemas na internet após críticas

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Publicado sábado, 5 de abril de 2003 as 18:42, por: cdb

A rede de televisão catariana Al Jazira enfrenta mais problemas para sua difusão na Internet desde que neste sábado, teve cancelado um contrato de serviços na rede nos Estados Unidos, onde se criticou sua cobertura da guerra no Iraque.

A empresa provedora dos serviços de Internet Akamai Technologies cancelou o contrato para prestar serviços à rede de televisão, cuja página em inglês na rede sofreu nos últimos dias o ataque de piratas da informática.

Akamai não informou os motivos que teve para deixar de prestar serviços à rede de televisão, que precisou os dessa empresa para resistir ao efeito dos ataques de piratas contra sua página em língua inglesa.

A empresa presta serviços de apoio a servidores de Internet, que são utilizados quando uma página recebe um volume inusualmente alto que faz colapsar seus sistemas, um dos mecanismos de ataque mais utilizados pelos piratas.

Desde que Al Jazira lançou sua pagina na Internet em inglês, esta sofreu constantes ataques de piratas, que em uma oportunidade substituíram o conteúdo da página da rede de notícias por uma bandeira dos EUA.

Depois de vários dias sem funcionar, na última (4) sexta-feira a página em inglês voltou a estar disponível na rede, embora ainda continue experimentando problemas, como não poder acessar separadamente cada notícia anunciada na primeira página.

A negativa da Akamai a prestar serviços a Al Jazira é um dos muitos problemas com os que enfrentou a emissora nos últimos dias.

Na última sexta (4), Al Jazira denunciou que os portais de Internet Yahoo e AOL se negaram a publicar sua publicidade.

AOL explicou que sua decisão se baseou no princípio de não publicar publicidade de meios de comunicação que são concorrência de seus sócios de conteúdo como as redes de televisão ABC e CNN, enquanto Yahoo não confirmou que tivesse rejeitado o pedido da rede catariana.

Al Jazira foi alvo de uma série de críticas de parte das autoridades americanas, que se incomodam pela forma como a emissora cobre a guerra no Iraque, em particular depois que veiculou imagens de soldados da coalizão capturados e mortos pelos iraquianos.

A Bolsa de Nova York (NYSE), o maior mercado de ações do mundo, decidiu na segunda-feira passada (24) retirar as credenciais dos correspondentes da Al Jazira, que há mais de quatro anos informavam desde o pregão.

Dois dias depois o mercado Nasdaq, onde cotam as empresas de tecnologia e informática, entre outras, não atendeu o pedido da rede catariana para informar desde suas instalações, na cêntrica Times Square.

Na noite da última sexta-feira (4) o NYSE informou que manteve conversações com executivos da rede catariana para tentar solucionar a situação, que se retomarão na próxima segunda-feira.

Além disso, a emissora recebeu na semana passada o apoio do prestigioso jornal The New York Times que publicou um editorial no qual disse que a proibição das bolsas nova-iorquinas a que jornalistas da Al Jazira informem desde suas sedes “é repugnante”.

O jornal explicou que essa emissora “é a única voz independente que emite no mundo árabe” e que é seguida por 35 milhões de pessoas.

De acordo com os dados do site Alta Vista, a página de internet Al Jazira foi o endereço mais procurado pelos cibernautas na semana passada.