Aiea pede permissão aos EUA para o envio de missão ao Iraque

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Publicado segunda-feira, 19 de maio de 2003 as 17:38, por: cdb

O diretor geral da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea), Mohamed El Baradei, pediu nesta segunda-feira, aos EUA e a seus aliados que permitam o envio de especialistas desta instituição ao Iraque para que verifiquem uma possível emergência de segurança nuclear no país árabe.

– Estou muito preocupado com os relatórios quase diários em relação aos saques e destroços em instalações nucleares -, afirmou nesta segunda-feira El Baradei na página da Internet da Aiea, organismo da ONU com sede em Viena.

A proteção e a segurança de materiais nucleares e radiológicos “deixaram de estar, possivelmente, sob controle”, indica o alto responsável.

Segundo informações procedentes do Iraque, os saqueadores derramaram no solo urânio concentrado altamente enriquecido e depois levaram contêineres para casa.

– Temos a responsabilidade moral de estabelecer, rapidamente, a veracidade das informações e adotar medidas emergenciais para remediar essas ações -, afirma El Baradei, que lembra que chamou a atenção em várias oportunidades das autoridades dos Estados Unidos sobre a situação crítica das instalações atômicas no Iraque e que até agora não recebeu nenhuma resposta.

No final de abril, El Baradei escreveu uma carta ao Governo dos Estados Unidos na qual pedia que permitisse o envio ao Iraque de uma missão de especialistas para que verificassem “in situ” se eram verdadeiros os rumores de saques na instalação de pesquisa nuclear de Tuwaitha, porque temia que o material radiativo que possui o país árabe chegasse nas mãos de terroristas.

Esse centro, no sul de Bagdá, é uma instalação de grande importância para o Iraque, já que a maior parte de seu material atômico e radiativo está armazenado perto de seu complexo principal, submetido ao sistema de controle da Aiea.

Três dias depois da tomada de Bagdá pelo exército dos Estados Unidos, no dia 9 de abril, fontes militares americanas informaram que tinham detectado uma radiação mais alta que o normal nesse centro.

Isso levou El Baradei a pedir aos EUA que garantissem a proteção e o armazenamento adequado do material nuclear, que limitassem o acesso a esse lugar e a que suas tropas se encarregassem pela segurança desse material até que a Aiea pudesse voltar a inspecioná-lo, mas Washington não consentiu.

Depois da queda de Bagdá, a Aiea solicitou aos Estados Unidos que protegessem as instalações nucleares iraquianas dos saques generalizados ocorridos no caos desencadeado depois da guerra, e Washington garantiu à ONU que tomaria medidas para evitar o desaparecimento de material nuclear desses lugares.

Os inspetores da Aiea realizaram numerosas missões de inspeção no Iraque para que o regime de Saddam Hussein não desenvolvesse um programa militar atômico e contam com um inventário detalhado do material nuclear existente nas instalações do país árabe.

Segundo o organismo, o material radiativo que até agora seus cientistas levantaram não é utilizado para o desenvolvimento de um programa nuclear militar, mas poderia ser usado para a fabricação das chamadas “bombas sujas” se cair nas mãos de terroristas.