AIE afasta perigo de uma crise de falta de petróleo

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Publicado quinta-feira, 10 de abril de 2003 as 10:04, por: cdb

A Agência Internacional de Energia (AIE) disse nesta quinta-feira que os temores de uma crise de abastecimento de petróleo que vinham assolando os mercados globais nos últimos meses estão sendo superados. “O sistema está funcionando – os produtores estão aumentando a produção, o petróleo está sendo entregue e nas regiões consumidoras os preços estão declinando”, afirmou o organismo em seu relatório mensal divulgado em sua sede em Paris.

“Os consumidores estão cada vez mais confiantes de que os mercados poderão afastar a tempestade causada pelas as atuais interrupções de abastecimento do Iraque, Venezuela e Nigéria.”

Segundo a AIE, apesar das dúvidas sobre a duração do conflito no Iraque, os mercados foram tranquilizados pelo compromisso dos produtores de manter o abastecimento da commodity. A perda de quase 40% da produção nigeriana no mês passado foi “supreendente”, mas acabou sendo parcialmente compensada pela retomada do abastecimento venezuelano.

Além disso, o fim do inverno no hemisfério norte e a consequente queda no consumo de combustível para calefação provocou uma redução na demanda.

Entretanto, a agência, que é ligada à Organização para Cooperação de Desenvolvimento Econômico (OCDE), alertou que é preciso não abandonar a cautela diante desse cenário otimista. “A crescente confiança não deve ser vista como uma indicação de que tudo já retornou ao normal e que todos os problemas são coisas do passado”, disse a AIE. “Na verdade, a capacidade ociosa continua reduzida, os estoques estão baixos e o mercado está tensionado”, disse.

A agência elogiou a atitude da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) de elevar a sua produção no período que antecedeu a guerra no Iraque. “Há poucas dúvidas de que a ação da Opep foi muito fundamental para acalmar os mercados.” Os países produtores, segundo a AIE, têm antecipado as suas entregas em regiões consumidoras consideradas cruciais para mitigar o impacto de uma eventual ruptura no abastecimento, assumindo assim riscos financeiros.