Agentes do FBI se infltram em redes sociais atrás de criminosos

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Publicado quarta-feira, 17 de março de 2010 as 23:55, por: cdb

Para os que sempre desconfiaram da presença do Big Brother governamental na web, mais uma boa razão para tomar cuidado com o que você publica no Facebook. Seus próximos amigos podem ser agentes federais dos EUA. Um documento interno do Departamento de Justiça dos EUA, obtido pela Electronic Frontier Foundation (EFF), mostra que agentes federais têm participado de redes sociais sob pretexto de combater crimes.

De acordo com a apresentação de 33 páginas, que foi obtida pela EFF na Justiça com base na lei americana de liberdade de informação, agentes federais podem usar sites de redes sociais para garimpar informações de e sobre suspeitos. As seguintes informações, disponíveis em redes sociais, são listadas pelo documento como provas válidas:

1.Revelar comunicações pessoais

2.Estabelecer motivos e relacionamentos pessoais

3.Oferecer informações de localização

4.Comprovar e desmentir álibis

5.Estabelecer crimes ou atividades criminais

O documento apresenta brevemente quatro sites de rede social (Facebook, MySpace, Twitter e LinkedIn) e como se pode obter informação deles. O Facebook, por exemplo, “coopera com frequência em solicitações de emergência”, enquanto o Twitter “não conserva dados sem um processo legal”. O LinkedIn pode ser usado para “identificar especialistas”, mesmo considerando que “seu uso para comunicações criminosas pareça limitado”. Mas tais disfarces poderiam representar um problema para o Departamento de Justiça, já que o próprio órgão processou um cidadão americano em 2008 por usar uma identidade falsa no MySpace.

Notícias de que agentes legais dos EUA atuam infiltrados no Facebook e no MySpace não são novas, mas a liberação deste documento expõe algumas questões. O trabalho sob disfarçe tem existido há tempos, mas há limites para os disfarçes utilizados no mundo real que não existem no mundo online. No mundo real, por exemplo. um agente não seria capaz de se passar por seu melhor amigo, esposa ou parente – mas, online, ele pode.

Por outro lado, o fato de que os governos começam a levar as redes sociais a sério poderia trabalhar a seu favor – afinal, há pelo menos um caso em que acusações foram retiradas por causa de uma atualização de status do Facebook.