Agências humanitárias temem pela vida de milhões de afegão neste inverno

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Publicado terça-feira, 9 de outubro de 2001 as 16:19, por: cdb

As agências de ajuda humanitária temem pela vida de milhões de pessoas, que foram podem ter sido abandonadas sem comida nem alimentos no interior do Afeganistão.

De acordo com as agências, cerca de 1,5 milhão de afegãos abandonaram suas casas, mas como o inverno no Hemisfério Norte está se aproximando, eles estão correndo grande risco.

A maioria das entidades interrompeu a entrega de comida e medicamentos desde o início dos ataques norte-americanos e britânicos ao Afeganistão.

Apesar de muitos refugiados terem deixado suas casas antes do início dos ataques, as agências afirmam que os que ficaram eram justamente as pessoas mais vulneráveis.

Bombas e comida

Segundo moradores da capital afegã, algumas pessoas deixaram a cidade depois de domingo, quando a ofensiva anglo-americana começou, mas não houve um êxodo em massa.

Ao mesmo tempo em que bombardeiam o Afeganistão, os Estados Unidos estão lançando pacotes de comida de seus aviões. Nos dois primeiros dias de bombardeio teriam sido lançados 72 mil pacotes de alimentos.

Mas as agências de ajuda humanitária alertam que o volume de alimentos que está chegando ao Afeganistão ainda é muito pequeno e não é capaz de sustentar a população refugiada no rigoroso inverno, que começa em novembro.

Os reponsáveis pela distribuição de alimentos e remédios também temem que a ajuda norte-americana – que consiste em lançar pacotes dos aviões, sem qualquer controle da distribuição em terra – possa dificultar o trabalho das agências. Eles acreditam que os civis poderão acabar entrando em campos minados para pegar alimentos que caírem naquela região.

ONU

O Programa Mundial de Alimentos da ONU interrompeu suas operações e não deve retomá-las rapidamente, pois teme-se pela segurança dos funcionários.

O prédio onde ficava um escritório da Organização das Nações Unidas na capital Cabul foi destruído nos bombardeios e quatro funcionários morreram.

Os reponsáveis pelo programa informaram ainda que os estoques não devem durar muito mais tempo.

Um representante da Unicef informou que, por causa dos bombardeios, um comboio de 42 caminhões está agora parado em Quetta, cidade paquistanesa na fronteira com o Afeganistão.

O órgão ONU estima que 70% dos 5,5 milhões de refugiados que precisam de assistência sejam mulheres e crianças.

Corredor Humanitário

A Cruz Vermelha está mantendo a distribuição de medicamentos e do que resta de seus estoques de alimentos em Cabul.

Entretanto, a porta-voz da Cruz Vermelha na Grã-Bretanha diz que é necessária a criação de um corredor humanitário no Afeganistão para levar ajuda essencial aos mais necessitados.

“A maior parte das pessoas que estão encurraladas dentro do país é composta por gente muito pobre ou muito fraca e que agora está com medo de chegar até à fronteira”, diz a porta-voz Cathy Mahoney.

Ela acrescentou que a distribuição está ficando cada vez mais perigosa, por causa da fome e do estado de desespero dos que tentam conseguir comida.