África quer indenização e conferência chega a impasse

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Publicado quinta-feira, 6 de setembro de 2001 as 00:37, por: cdb

Estão difíceis as conversações entre representantes de países africanos e da União Européia em relação a questão da escravidão, durante a Conferência sobre Racismo da ONU, em curso na cidade sul-africana de Durban.

Diplomatas europeus que estão participando da conferência disseram que os países africanos não estão sendo flexíveis e, por isso, não está claro se vão conseguir chegar a um acordo.

Em relação a polêmica questão envolvendo palestinos e judeus, o primeiro-ministro da França, Lionel Jospin, disse, nesta quarta-feira, que seu país e os outros membros da União Européia devem seguir os passos de Israel e Estados Unidos, abandonando a conferência, caso não seja retirada a emenda que qualifica o sionismo como forma de racismo.

A maioria dos países integrantes da União Européia concorda em pedir perdão pelo período de escravidão. Agora, os países estão unidos contra o que chamam de exigências absurdas.

Protesto

Os países africanos, com o apoio de grupos negros americanos, querem além do pedido formal de desculpas, o cancelamento de dívidas, mais ajuda e indenizações.

Namíbia e Zimbabwe estão à frente deste movimento.

A África do Sul, anfitriã do evento, quer que a conferência prossiga, mas já expressou solidariedade as propostas apresentadas pelas outras nações africanas.

Para alguns países, algum tipo de ajuda já seria aceitável. Outros, no entanto, querem indenizações específicas pelo período de escravidão sofrido pelos negros africanos.

Os europeus, no entanto, não aceitam qualquer menção a possibilidade de pagamento de indenizações no documento final da Conferência.

Protestos

Nesta quarta-feira, negros americanos protestaram do lado de fora da conferência contra a retirada de seu país das negociações, afirmando que isso era um insulto às minorias étnicas dos Estados Unidos.

A alta comissária para os Direitos Humanos da ONU, Mary Robinson, disse que tinha esperanças de que a conferência estaria voltando ao eixo.

Na terça-feira, ela disse que acreditava que a conferência “está de volta a seu rumo, com segurança”. Mary Robinson acha que as discussões devem continuar até sexta-feira.

Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores belga, Louis Michel, representando a União Européia, havia dito: “Queremos um texto curto e equilibrado”.

“A Europa não vai concordar se a conferência der apoio a apenas uma das partes do conflito (no Oriente Médio).”