Afegãos marcam 11/9 com sentimentos contraditórios

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Publicado sábado, 11 de setembro de 2004 as 09:53, por: cdb

As forças dos Estados Unidos e seus aliados no Afeganistão lembraram o terceiro aniversário dos ataques de 11 de setembro de maneira sombria no sábado, conscientes de que a guerra contra o terror será longa.

Há mais de um ano, o secretário de Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, disse em uma visita ao Afeganistão que as forças norte-americanas haviam passado da fase de combates maiores à estabilização e reconstrução.

Desde então, no entanto, a insurgência do Taliban se intensificou em vez de reduzir. Mais de mil pessoas morreram em atos de violência relacionados aos militantes no ano passado. Soldados que integram a força de 18 mil homens liderada pelos EUA não acreditam em uma vitória rápida.

“Todos temos visto que no Afeganistão o caminho para a liberdade pode ser uma luta difícil,” disse o general-de-divisão Eric Olson, comandante de operações da força liderada pelos EUA, durante um evento para lembrar o 11 de setembro na principal base norte-americana em Bagram, ao norte de Cabul.

A vasta base de Bagram foi construída pela União Soviética nos anos 1980 durante a ocupação de 10 anos do país.

Cerca de 200 soldados norte-americanos e representantes das forças aliadas participaram da cerimônia.

Eles assistiram a um vídeo dos ataques contra o World Trade Center e o Pentágono e ouviram discursos exaltando as virtudes da honra, coragem, liberdade, sacrifício e fé, antes de entrar no coro de “God Bless América” (Deus abençoe a América).

“Estou orgulhoso de fazer parte disto,” disse o major Andy Preston, integrante da 25a. Divisão de Infantaria, que trabalhava no Pentágono quando os sequestradores jogaram um avião contra o edifício.

“É importante relembrar aqueles que perdemos e por que estamos aqui. Temos de evitar futuras cerimônias como esta e futuros 11/9s.”

Os afegãos marcaram a data com sentimentos antagônicos — alguns satisfeitos com a intervenção que derrubou o Taliban depois de 11 de setembro, mas outros profundamente desconfiados das intenções de Washington.

Três anos depois, o paradeiro de Osama bin Laden, suposto mentor do pior ato de terror do mundo, permanece desconhecido e ao grupo Al Qaeda e guerrilheiros do Taliban insultam os Estados Unidos a partir do interior do Afeganistão.

O Taliban prometeu atrapalhar a realização da primeira eleição presidencial direta da história do Afeganistão, marcada para 9 de outubro, e intensificar os ataques.

O mulá Mohammad Hassan Rehmani, do Taliban, repetiu que 11 de setembro foi um pretexto para a invasão e que Washington ainda tem de provar que a Al Qaeda tenha realizado a ação.

“A América provou que é terrorista ao matar milhares de afegãos por meio de bombardeios bárbaros. Mesmo se o governo do Taliban tivesse expulsado Osama bin Laden do país, os americanos teriam atacado o Afeganistão,” disse ele à Reuters.

Haji Abdul Razaq, 50, morador de Spin Boldak, na fronteira com o Paquistão, afirmou que Washington não obteve um sucesso completo.

“O 11 de setembro abriu o caminho para a derrubada do Taliban e trouxe alguma esperança, mas ainda não houve melhoras.”