Afeganistão terá 2° turno após recontagem de votos

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Publicado terça-feira, 20 de outubro de 2009 as 11:39, por: cdb

O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, vai enfrentar o ex-chanceler Abdullah Abdullah no segundo turno da eleição presidencial, após nenhum dos candidatos ter conseguido o mínimo de 50% dos votos no pleito de agosto, informaram autoridades eleitorais do país nesta terça-feira.

– O 2° turno será em 7 de novembro. A razão é que a votação de Karzai foi 49,67% e não superou os 50% – disse Noor Mohammad Noor, porta-voz da Comissão Eleitoral Independente (CEI), apontada pelo governo.

O presidente afirmou após o anúncio que a decisão da CEI era “legítima, legal e constitucional”, aceitando a realização do segundo turno um dia depois de uma comissão patrocinada pela ONU invalidar dezenas de milhares de votos que poderiam lhe dar a vitória em primeiro turno.

Houve suspeitas de fraude generalizada na votação de 20 de agosto, e o impasse pós-eleitoral gerou tensão entre Karzai e seus aliados ocidentais, além de complicar a definição de uma nova estratégia militar norte-americana no país, que pode resultar no envio de dezenas de milhares de soldados adicionais.

A Comissão Eleitoral Independente anunciou a realização do 2° turno depois de ter recebido na véspera um relatório da Comissão de Queixas Eleitorais (CQE), subordinada à ONU, que investigou as suspeitas de fraude.

Observadores eleitorais e diplomatas estrangeiros disseram na segunda-feira que, depois das impugnações do CQE, a votação total de Karzai tinha caído de 54,6 para 48,3%, o que levaria à necessidade de segundo turno contra Abdullah, cuja votação subiu de cerca de 28 para 31%.

Fontes ocidentais já vinham dizendo que Karzai deveria aceitar a imposição de um segundo turno pela CEI. Há quem sugira também que seja formado um governo de coalizão para encerrar as várias semanas de impasse político, um cenário que, segundo analistas, pode fortalecer a insurgência do Talebã.

A campanha de Abdullah disse que ainda não voltou a discutir um governo de unidade nacional com o grupo de Karzai, cujos assessores não quiseram se manifestar.

Analistas dizem que Karzai, da etnia pashtun, a maior do Afeganistão, deve vencer a nova votação. Mas a dimensão da fraude no primeiro turno pode lançar uma sombra sobre a legitimidade do seu mandato.