Aécio dispensa convite de Serra e segue em campanha a uma vaga no Senado

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quinta-feira, 4 de março de 2010 as 14:31, por: cdb

Governador de Minas Gerais, Aécio Neves formalizou o que há tempos já anunciara: ele recusou o convite do governador de São Paulo, José Serra, para assumir a vaga de vice em chapa presidencial tucana. A informação foi transmitida no início da tarde desta quinta-feira pela agência inglesa de notícias Reuters, com base na entrevista com um parlamentar tucano, na noite de quarta-feira, sob condição de anonimato.

Apesar da negativa de Aécio, a fonte afirmou que o mineiro se comprometeu a fazer o que for preciso para eleger o colega de legenda. Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país, é crucial para os objetivos de Serra. Sem o engajamento de Aécio, a conquista do Estado é bastante difícil. Segundo a fonte, a conversa teria ocorrido na noite de terça-feira, em Brasília. Na manhã de quarta-feira, os dois participaram da solenidade de homenagem a Tancredo Neves no Senado.

José Serra tem protelado o anúncio de sua pré-candidatura, mesmo diante da pressão dos partidos oposicionistas para que declare seu intenção de concorrer. Os apelos cresceram após pesquisa do Datafolha mostrar crescimento da ministra-chefe da Casa Civil e pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, e queda do tucano. Sua resistência em antecipar a decisão acabou alimentando rumores na última semana de que poderia não se lançar à disputa.

Homenagem

Avô de Aécio, o presidente Tancredo de Almeida Neves, que completaria 100 anos nesta quinta-feira, foi lembrado pelo neto como um homem de diálogo e com grande espírito conciliador. Segundo Aécio, seu avô sempre preferia um bom acordo a derrotar um adversário.

– A sua capacidade de articulação permitiu à nossa geração viver hoje em um país plenamente democrático – diz Aécio, em entrevista a um jornal paulistano.

Tancredo nasceu em São João del-Rei (MG), em 4 de março de 1910. Foi vereador de sua cidade natal, deputado estadual, federal, senador e governador de Minas. Também passou pelo gabinete ministerial de Getúlio Vargas e ocupou o cargo de primeiro-ministro durante o parlamentarismo que antecedeu o golpe de Estado, no início dos anos 60, durante o governo de João Goulart.

Eleito eleito presidente ainda pelo Colégio Eleitoral, em março de 1985, após um segundo governo em Minas Gerais, Tancredo foi o marco de ruptura com o regime militar após mais de 20 anos. O ex-presidente adoeceu na véspera da posse e morreu antes de exercer o cargo. Seu vice, o hoje senador José Sarney (PMDB), assumiu o governo do país.

– Tancredo foi o meu exemplo, a minha inspiração. Ele talvez tenha sido o brasileiro mais preparado para os desafios de governar o Brasil. Eu não tenho dúvida de que nós teríamos antecipado em mais de uma década algumas mudanças e feito outras que até hoje não ocorreram – afirmou Aécio.

Obra bilionária

Aécio aproveitou a data comemorativa para iniciar uma longa despedida do governo mineiro, preparando o terreno para a candidatura a uma vaga ao Senado. Seu primeiro ato de desligamento do Executivo de Minas Gerais foi a inauguração, nesta tarde, da maior obra realizada em seus sete anos à frente do Estado: um complexo administrativo construído ao custo de R$ 1,688 bilhão. A nova sede oficial do governo de Minas não é mais o Palácio da Liberdade, construído há 112 anos, e passa a ser o Palácio Tiradentes, uma das cinco edificações projetadas pelo arquiteto Oscar Niemeyer na Cidade Administrativa de Minas.

O valor investido, segundo a área de desenvolvimento do governo mineiro, levará 18 anos para ser compensado com uma economia prevista de R$ 92 milhões anuais na manutenção dos próprios públicos. As obras foram inicialmente avaliadas em R$ 550 milhões, mas superaram em mais do que o dobro as estimativas iniciais, chengando a R$ 1,1 bilhão.