Acusado por genocídio Radovan Karadzic será julgado este mês

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Publicado quinta-feira, 15 de outubro de 2009 as 11:06, por: cdb

Juízes do Tribunal Penal Internacional para a Ex-Iugoslávia determinaram na quinta-feira que o julgamento do ex-dirigente sérvio-bósnio Radovan Karadzic, acusado de crimes de guerra, comece em 26 de outubro.

Karadzic, 64 anos, que tentou sem sucesso que o julgamento fosse adiado e as acusações contra ele arquivadas, pode ser condenado à prisão perpétua por 11 acusações de crimes de guerra, crimes contra a humanidade, homicídio, deportação, terrorismo e ataques ilegais contra civis, durante a guerra que resultou na independência da Bósnia, com um saldo superior a 100 mil mortes.

Ele também responde por duas acusações de genocídio, relativas ao cerco de 43 meses contra Sarajevo e ao massacre, em 1995, de 8.000 homens e meninos muçulmanos em Srebrenica.

Preso no ano passado e deportado para o tribunal de Haia, após 11 anos foragido, Karadzic nega todas as acusações e advoga em causa própria. Ele alegou que o ex-mediador de paz Richard Holbrooke lhe havia oferecido imunidade, em 1996, se ele abandonasse a vida pública, o que ocorreu.

O norte-americano Holbrooke nega repetidamente essa afirmação, e nesta semana o tribunal também rejeitou a tese da imunidade, bem como o pedido para que o julgamento fosse adiado em dez meses, de modo que Karadzic tivesse tempo para se preparar.

Em todas as audiências preliminares no último ano, Karadzic contestou o tribunal, eventualmente elevando o tom de voz. Repetia assim o comportamento do ex-presidente iugoslavo Slobodan Milosevic, que também advogava em causa própria. Milosevic morreu em 2006, após quatro anos de um julgamento que não chegou a ser concluído.

Em entrevista por escrito à Reuters em agosto, Karadzic disse que não se arrependia de seu envolvimento na guerra da Bósnia, um dos vários conflitos étnicos e separatistas da Iugoslávia na década de 1990. Ele liderava a facção que era contrária à separação em relação a Belgrado.

– Lamento o que aconteceu durante a guerra da Bósnia –que muitas vidas tenham sido perdidas, o sofrimento das pessoas de todas as etnias, a destruição de famílias e propriedades –afirmou.

– Lamento profundamente que a guerra tenha sido travada, mas não foi nossa escolha – completou.

Karadzic foi preso por autoridades sérvias há pouco mais de um ano em Belgrado, onde vivia num semianonimato, praticando medicinas alternativas.

O principal comandante militar sérvio-bósnio, Ratko Mladic, continua foragido, e sua captura é uma condição para que a Sérvia avance em seu processo de adesão à União Europeia.