Acusado de matar policial senta no banco dos réus em Minas Gerais

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Publicado sexta-feira, 31 de outubro de 2003 as 02:53, por: cdb

O comerciante Florismar Viana, acusado de matar um policial militar e ferir outro, irmão da primeira vítima, sentou-se, na última quinta-feira, no banco dos réus, nesta cidade do Vale do Rio Doce.
 
O crime aconteceu em 1987, durante uma discussão por causa de uma batida de carro. O processo foi arquivado depois que uma certidão de óbito de Florismar, supostamente morto em um acidente de trânsito, foi anexada aos autos.

A fraude foi descoberta em julho último, em Sorocaba (SP), através de denúncia anônima. Se condenado por homicídio simples, o réu pegará de seis a 20 anos de prisão. Outro processo será aberto pela falsificação do atestado de óbito. O crime de lesão corporal já prescreveu.

O homicídio aconteceu a poucos metros do 6º Batalhão de Polícia Militar, em frente a uma igreja evangélica. O tenente Uader Araújo de Oliveira, 39 anos, e o irmão, o cadete Azemar Araújo de Oliveira, então com 23, saíram do culto após ouvirem o barulho de uma batida.
 
Segundo Uader, durante a discussão que se seguiu, Florismar, que estaria embriagado, efetuou vários disparos, atingindo Azemar no peito. Uader, que sobreviveu, foi ferido no braço e de raspão no peito.

Florismar foi preso em flagrante, mas colocado em liberdade por excesso de prazo, 101 dias depois. Desde que o crime aconteceu, dois outros julgamentos foram marcados. O primeiro foi anulado pela promotoria, e antes mesmo que o segundo acontecesse, o falso atestado de óbito foi anexado ao processo, provocando seu arquivamento.

O julgamento de ontem começou às 8 horas, presidido pelo juiz Nilseu Buarque. A assessora jurídica da PM, Maria do Carmo de Souza Reis, atuou como assistente da acusação. Seis testemunhas foram arroladas – uma da defesa e cinco da acusação, quatro delas dispensadas.
 
O único que depôs foi o pai dos policiais, o PM reformado Ademar Ricardo de Oliveira, que alegou que o comerciante estava embriagado e cometeu o crime friamente.

A única testemunha da defesa, a mulher do comerciante, Maria Cecília Viana, alegou que o marido apenas se defendeu quando era agredido.
 
– Vi um senhor de meia idade jogando meu marido no chão, e o agredindo com socos e pontapés. Ele conseguiu correr e muitas pessoas que estavam na igreja correram atrás dele. Sei que foi no carro e pegou a arma – disse.

Vários policiais e amigos de Azemar lotaram a sala do júri.
 
– Nós acompanhamos o caso e esperamos a condenação. Que ele não seja beneficiado pela prescrição, pelo fato de o processo ter ficado parado por mais de seis anos, enquanto se acreditava que ele estava morto – enfatizou o major Sandro Lúcio Fonseca, assessor de Recursos Humanos do 1º Comando Regional da Polícia Militar.

O advogado de defesa, Artur Gonzaga, informou que poderia mudar sua tese a qualquer momento, mas em princípio, argumentaria legítima defesa.