ACM ataca acusadores e diz “sofrer muito” em defesa escrita

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado terça-feira, 15 de abril de 2003 as 18:38, por: cdb

O senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-ACM) mais uma vez dispara sua metralhadora desclassificando quem o acusa e quem o julga no caso das escutas ilegais na Bahia. Em sua defesa escrita encaminhada ao conselho pelo advogado José Gerardo Grossi, ACM apresenta o documento apenas como uma deferência o Conselho de Ética porque os fatos que estão sendo investigados “ocorreram em datas nas quais não era eu parlamentar”.

“Parece difícil visualizar uma quebra de decoro parlamentar por um não parlamentar; por quem não se encontrava no exercício do mandato”, disse. ACM admite a investigação por parte da Polícia Federal que pode levar a propositura de uma ação penal no Supremo Tribunal Federal e, em caso de condenação, sendo que não caberia mais recurso, aí sim o Senado decidiria pela perda ou não do mandato.

“Tudo isso é muito triste, sofro muito com esse processo injusto. Vossas Excelências poderão ser vítimas amanhã do mesmo processo calunioso”, afirmou.

ACM questiona as acusações que, segundo ele, baseiam-se apenas em matérias jornalísticas e que não provam, apenas induzem, a sua participação com as gravações clandestinas.

O senador critica a utilização de matérias do jornal A Tarde, de Salvador, afirmando que esse é um veículo que faz oposição sistemática a ele “desde que comecei a minha vida pública”. “A sua posição é tão tendenciosa que até mesmo no último carnaval, as principais manchetes de primeira página eram contra mim.”

ACM se diz vítima também de grampos telefônicos e afirma teve seu sigilo quebrado em todos os seus números na sua residência, no escritório e de pessoas ligadas a ele.

ACM diz que o grampo é condenável e alega que tentar vinculá-lo a essa prática é um desrespeito. Sobre os faxes enviados por ele a alguns ministros, ele ironiza: “Não me fazem justiça. Aos poderes constituídos, ao longo da minha vida pública, mandei muito mais do aqueles faxes. Mandei cartas e telegramas, jamais deixei de encaminhar ao setor competente denúncia consistente de irregularidade que me tivesse chegado. Talvez por isso, por vezes fui incompreendido e ganhei algumas inimizades”.

Ele se ofereceu para entregar ao conselho cópias dos faxes, cartas e telegramas enviados por ele, contendo denúncias a serem investigadas. Ele também confirmou o envio de correspondência para a imprensa, quando se sentiu acusado injustamente, e concordou que pode ter se excedido algumas vezes, motivado pela indignação.

ACM desclassificou Luiz Cláudio Cunha dizendo que ele montou a fita, que a gravação é clandestina, fantasiosa, e que o Luiz Cláudio foi assessor especial do Ministério da Integração Nacional, pasta contra a qual, ele ACM, fez uma série de denúncias entre 1999 e 2002.

Ele se recusou a comentar as declarações de cunho pessoal do marido da Adriana Barreto, sua ex-namorada, o advogado Plácido Faria. Segundo ACM, todas as denúncias feitas por Plácido carecem de provas e são baseadas em suposições e insinuações.

ACM afirma jamais ter dito à Adriana Barreto que iria promover escutas em telefones do seu marido ou dela própria. Ele disse que além da ilicitude do ato em sim, ele jamais a grampearia, “já que trocávamos telefonemas e correria o risco de gravar a nós mesmos”.