Acidente em BH foi o maior da história do metrô na cidade

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Publicado quinta-feira, 9 de janeiro de 2003 as 23:52, por: cdb

O choque frontal entre dois trens do metrô de Belo Horizonte deixou 77 feridos, nesta manhã. Quatro deles ficaram em estado grave, incluindo o maquinista de uma das linhas. Foi o maior acidente da história do metrô na cidade.

A colisão aconteceu por volta das 8h40, na estação 1º de Maio, no bairro de mesmo nome, na zona norte da cidade. O trecho funciona de forma parcial desde que foi inaugurado, em fevereiro do ano passado.

No local, há apenas uma linha, por onde, alternadamente, passam trens em sentido contrário. Não há sinalização eletrônica. No lugar disso, dois postos de licenciamento fazem o controle do tráfego.

Por um motivo que ainda não está esclarecido, o trem de número sete não esperou que outro, o de número 12, que ia em direção ao centro da cidade, saísse do trajeto e seguiu caminho até chocar-se contra ele.

O Centro de Controle Operacional da CBTU (Companhia Brasileira de Trens Urbanos) só conseguiu alertar os maquinistas quando nada mais poderia ser feito. Ambos saltaram de suas máquinas antes do choque.

No momento do impacto o trem sete rodava a aproximadamente 40 km/h. O outro ainda estava acelerando, após ter ficado parado para embarque e desembarque de passageiros. Mais de 400 pessoas estavam dentro dos vagões.

Cerca de 20 minutos depois, 30 carros da Polícia Militar e sete do Corpo de Bombeiros chegaram ao local. Os feridos foram removidos para hospitais da região central da capital mineira ou para unidades mais próximas ao local do acidente.

No Pronto-Socorro de Venda Nova, região metropolitana de Belo Horizonte, foram atendidas 50 pessoas. O movimento durante a manhã foi tão intenso que, contam funcionários, médicos que estavam de folga foram chamados para atender. Profissionais que atuam em outros hospitais também prestaram auxílio.

O prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), visitou o local no fim da manhã e disponibilizou médicos da prefeitura para ajudar a socorrer os acidentados.

O hospital João 23 atendeu os casos mais graves, que envolviam fraturas e traumatismos.

Um dos pacientes do local é o maquinista do trem 12, Jackson Pereira Lopes, 20. Ele teria se chocado contra a plataforma quando saltou do metrô.

O maquinista teve traumatismo craniano e fraturou a mandíbula, mas, segundo os médicos, não corre risco de morte. O condutor do outro trem, Wilber Magno de Oliveira, 27, escapou ileso.

Até às 19h, apenas duas pessoas continuavam internadas no João 23 e cinco no Pronto-Socorro de Venda Nova.

A CBTU, responsável pela operação dos trens, alegou, por meio de uma nota, que há indícios de falha humana.

Uma das hipóteses é que um dos operadores poderia não ter alertado os maquinistas sobre a possibilidade do choque. Pela outra versão do órgão, o maquinista Oliveira poderia ter desobedecido a orientação de esperar até que a linha estivesse desocupada.

O sindicato dos metroviários alega que o acidente aconteceu por falta de sinalização eletrônica no trecho. Tal artifício permitiria que os trens fossem parados por meio de computador, assim que fosse detectado o risco de uma batida.

A CBTU informou que abriu uma comissão para apurar as causas do acidente. O órgão deverá emitir laudo sobre o caso em 15 dias. O Instituto de Criminalística também esteve no local para fazer perícia.

O choque causou a interdição da estação 1º de Maio e de quatro outras. A expectativa é que elas estejam liberadas amanhã. O metrô mineiro opera na superfície.