Ação do exército colombiano frustra ação humanitária

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado terça-feira, 1 de janeiro de 2008 as 21:18, por: cdb

Assessor especial da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia confessou a sua frustração ao voltar da Colômbia, onde estava desde quinta-feira para acompanhar a operação de resgate de três reféns em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). A operação foi cancelada sem data para ser retomada.

– Todos saímos um pouco frustrados. A primeira frustração evidentemente é dos parentes. Em segundo lugar, nós, os governos que se empenharam de distintas formas também tiveram frustradas suas expectativas e nós, na condição de garantes, também. Mais do que isso, acho que houve uma enorme frustração da parte do povo colombiano e do povo venezuelano – afirmou o assessor da Presidência, nesta terça-feira.

Para Marco Aurélio Garcia , no entanto, a operação não fracassou – apenas foi suspensa e será retomada em algum momento. Segundo ele, a libertação dos sequestrados não foi possível pois as Farc não informaram o chamado ponto de encontro, onde os reféns seriam entregues. Uma das razões alegadas pelos guerrilheiros foi a intensificação, por parte do governo colombiano, da ação militar na região onde os sequestrados seriam libertados, o que impedia o deslocamento dos reféns do local onde estavam presos até o lugar onde seriam entregues.

O governo colombiano negou o incremento das forças militares e assegurou que inclusive reduziu as atividades militares na região, relatou o assessor especial da Presidência. Participavam da operação de resgate como observadores internacionais, além de Marco Aurélio Garcia, o ex-presidente argentino Néstor Kirchner, e representantes do Equador, de Cuba, da Bolívia e da França.

O assessor da presidência contou que falou de duas a três vezes por dia com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enquanto estava na Colômbia e que Lula chegou a conversar com Uribe por telefone. Marco Aurélio Garcia também manteve contato com o presidente venezuelano Hugo Chávez, que intermedia as negociações com as Farc.

– Estivemos lá para cooperar com os dois governos numa ação que tinha características iminentemente humanitárias – disse.

Os reféns que seriam resgatados são a ex-candidata à vice-presidência da Colômbia Clara Roja, seqüestrada em 2002, o filho dela de três anos, nascido no cativeiro (Emmanuel), e a ex-deputada Consuelo Gonzáles, presa em 2003.