Acampamentos de luxo garantem natureza com todo o conforto para a família

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Publicado sexta-feira, 3 de agosto de 2001 as 19:14, por: cdb

(Continuação)
Os índios estão perdendo sua identidade ou, como prefere pensar um dos moradores de Aruanã, “adaptando-se à vida como ela se apresenta”, com o que também concorda o cacique Karajás. O desmonte daquela cultura somente não deverá atingir a totalidade porque ainda sobrevivem alguns remanescentes originais que, nas contas de Raul, são cada dia mais raros. Professores da USP e missionários religiosos também se ocupam de estudar e registrar cada passo desta civilização, que remonta a pré-história, inexoravelmente rumo ao fim.

Os filhos dos índios, hoje em dia, segundo o líder da tribo, casam-se com homens e mulheres de fora daquele círculo étnico e seguem suas vidas, na maioria das vezes fora da cidade e até mesmo do Estado de Goiás. Quem fica, como é o caso de uma de suas filhas, Ana Paula, ou Tarimaru, como os pais a preferem chamar, casa-se e vive nos arredores, como famílias simples, de lavradores ou prestadores de serviços na cidade.

Há, no entanto, aqueles brancos que, casados com filhas da tribo Karajás, preferem fazer o caminho inverso da colonização portuguesa e se integrar ao estilo de vida dos primeiros sul-americanos: Ou como prefere a cantora Rita Lee, “vida de índio”, sem o estresse importado da Europa, há 500 anos.

– Se fizer as contas direitinho acho que tem mais branco vivendo como índio do que índio mesmo. O pessoal casa e alguns vão ficando por aí, fazem artesanato e vendem para os turistas que chegam durante a temporada – calcula o cacique.

A simplicidade com que Raul antevê o futuro de sua origem demonstra, a certa altura, a paz que repousa no fim da tarde e no pôr-do-sol sobre Mato Grosso, visto da margem goiana. Sem qualquer outra ambição, a não ser o novo dia que vem, seguinte a noite que cai, ele se cala por um instante, depois olha e diz:

– A gente aqui vive tranqüilo.

ACAMPAMENTOS DE LUXO

Os dias passam calorentos, a partir do meio-dia, após a manhã agradável, em meio à agitação característica de uma festa ao ar livre, durante períodos de mais de 20 horas. Parece cidade grande. E é, durante a temporada que segue de julho a setembro. As luzes dos acampamentos, no início da noite, conferem ao rio o brilho de uma grande avenida, enquanto os estampidos dos fogos de artifício completam o ritmo da festa que começa.
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