Abu Mazen é o primeiro-ministro palestino

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Publicado terça-feira, 29 de abril de 2003 as 15:12, por: cdb

O Conselho Legislativo Palestino, equivalente a um Parlamento, confirmou, nesta terça-feira, a indicação de Mahmoud Abbas, também conhecido como Abu Mazen, para o cargo de primeiro-ministro da Autoridade Palestina.

Abu Mazen e seu gabinete venceram, por 51 votos a favor e 18 contra, a moção de confiança em votação no Conselho. Houve três abstenções.

Antes da votação, em discurso aos legisladores, Abu Mazen afirmou que seu governo apoiará a paz e rejeitará o terrorismo, e exortou Israel a desmantelar seus assentamentos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.

O presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, e o presidente da legislatura, Ahmed Qorei, abriram a sessão parlamentar com discursos de apoio ao premier.

Com a aprovação do gabinete e a posse de Mazen, os palestinos honram as condições impostas por Washington para a publicação do “mapa do caminho” para a paz, o plano elaborado pelo “Quarteto” – um grupo composto pelos Estados Unidos, Rússia, Nações Unidas e União Européia – e que prevê a criação de um Estado palestino até 2005.

Ao enumerar suas prioridades, Mazen disse que estava comprometido com a formação de um Estado palestino com a capital em Jerusalém, com eleições democráticas, um forte Poder Judiciário, o fim do terrorismo e “a segurança e a proteção da pátria”, além de acabar com o que chamou de “caos armado” entre os palestinos.

– Nós queremos uma paz duradoura com Israel por meio de negociações. Rejeitamos o terrorismo perpetrado por qualquer parte e sob todas as suas formas -, ressaltou.

Abu Mazen disse, no entanto, que os palestinos não fariam concessões em questões cruciais, como o fim dos assentamentos judaicos nos territórios ocupados.

– A escolha é sua (de Israel). A paz real, sem assentamentos, ou a continuação da ocupação, da repressão, do ódio e do conflito -, advertiu.

– A fim de que o nosso discurso seja claro, nosso povo palestino não aceitará nada menos do que exercer seu direito à autodeterminação e a estabelecer seu Estado soberano e independente com sua capital em Jerusalém, ou seja, livre de assentamentos nos territórios ocupados em 1967 (na Guerra dos Seis Dias) -, acrescentou.

Abu Mazen afirmou que os palestinos também pressionarão pelo retorno dos refugiados.

Referindo-se ao mapa do caminho para a paz, o premier nomeado reiterou que os palestinos o aceitavam na íntegra e esperam que Israel faça o mesmo, sem insistir em alterações.

Por sua vez, Arafat, em seus discurso, pediu o fim dos assentamentos judaicos e de todos os tipos de ocupação dos territórios palestinos, além de fazer um apelo pela retomada do processo de paz.

– Eu exorto a comunidade internacional a demonstrar mais preocupação com a causa do nosso povo -, acrescentou.

A sessão do Conselho foi aberta por Qorei, que também estendeu seu apoio ao novo governo.

– Nós queremos o mapa do caminho implementado imediatamente. Entramos agora numa nova fase de democracia parlamentar -, declarou.

Qorei também leu uma carta de palestinos presos em Israel, que reivindicam a inclusão de uma cláusula na votação do novo Gabinete pedindo sua libertação.