Abril diminui sua participação no UOL com venda de ações a Portugal Telecom

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Publicado sexta-feira, 5 de outubro de 2001 as 16:52, por: cdb

O Grupo Abril, uma das maiores editoras da América Latina, passa por uma revolução silenciosa, que pode até incluir a venda de parte de sua participação no provedor UOL para a Portugal Telecom, disseram fontes ligadas à empresa.

A companhia estaria implantando uma série de ações para levantar capital, saldar dívidas e investir nas revistas rentáveis da casa.
O grupo Abril, que teve receita líquida de 1,839 bilhão de reais em 2000, estaria disposto a vender uma fatia do UOL para a Portugal Telecom, que já é acionista do provedor, com quase 18 por cento das ações.

Essa manobra faria com que Abril e Portugal Telecom tivessem a mesma parcela no UOL, algo próximo aos 27 por cento, deixando o Grupo Folha como principal acionista, com cerca de 36 por cento. Outros 10 por cento do UOL continuariam diluídos entre outros sócios, como Morgan Stanley e Credit Suisse First Boston.

“A gente está sim em conversas com a Portugal Telecom”, disse nesta sexta-feira a diretora de relações corporativas da Abril, Cleide Castellan, acrescentando que não poderia confirmar se as negociações envolviam o UOL.

Além de receber em dólar, algo importante frente à acentuada desvalorização do real, a Abril estaria motivada a se desfazer de parte do UOL também por estar frustrada com seus negócios de Internet, já que ainda não conseguiu ganhar dinheiro com suas operações online, de acordo com fontes da empresa.

No ano passado, a Abril iniciou sua primeira incursão pontocom independente de sua estrutura operacional e fora do UOL, ao criar a empresa de Internet Idealyze, especializada na criação de portais verticais. A Portugal Telecom, por meio de sua subsidiária PT Multimédia adquiriu 33 por cento da Idealyze em dezembro passado, ao preço de 29,3 milhões de reais, o equivalente a 15 milhões de dólares na época.

Mas a Idealyze não cumpriu com as expectativas da empresa e seus dois portais, o TCINet (de tecnologia) e o Paralela (voltado ao público feminino), foram incorporados pela Abril.

Em visita ao Brasil nesta semana, o presidente da Portugal Telecom, Francisco Murteira Nabo, se reuniu com representantes do grupo Abril. Sem dar muitos detalhes, Nabo limitou-se a dizer em entrevista à imprensa que sua companhia busca “uma situação de compatibilização com o UOL”.

Alguns meses antes, a Abril, por seu lado, já dava sinais de que não estava plenamente satisfeita na aliança com o UOL, quando a editora anunciou que pretende suspender a exclusividade de seu conteúdo editorial aos assinantes pagos do provedor.

MENOS REVISTAS E VENDA DA GRÁFICA

Outras ações estratégicas da editora incluem a descontinuação de publicações deficitárias – caso da Revista da Web! e Horóscopo, que acabam de encerrar atividades -, a suspensão dos investimentos na empresa de televisão a cabo do grupo TVA e a venda do parque gráfico da editora em São Paulo, o maior da América Latina com 52.500 metros quadrados.

Na quinta-feira, a Abril anunciou que Ophir Toledo, seu presidente-executivo, estava deixando o cargo à pedido do chairman da editora, Roberto Civita. Em comunicado à imprensa, a Abril esclareceu que “Ophir voltará a integrar o Conselho Consultivo da Abril, e concluirá negociações que vinha conduzindo pessoalmente em nome da Abril”.

No caso da gráfica, o grupo estaria seguindo o modelo de todas as grandes editoras do mundo, que terceirizam as atividades gráficas para reduzir custos e manter o foco no negócio de conteúdo.

Na TVA, além da suspensão dos investimentos, segundo as fontes, a Abril procura parceiros para continuar o negócio.

O grupo de comunicações, assim como no caso da Internet, estaria decepcionado com os negócios de TV a cabo, após dois anos de maciços investimentos e com o número de assinantes deste tipo de serviço no país estagnado, de acordo com dados da Associação Brasileira de TV por Assinatura (Abta).

Números da Abta mostram um crescimento de apenas 1 por cento na quantidade de assinantes de TV a cabo no